Política

Alcolumbre negocia apoio de Lira para tentar reeleição à Presidência do Senado

Acordo em discussão envolve uma possível candidatura de Lira em 2029. Lula apoia a permanência de Alcolumbre, mas há resistência na oposição.

Alcolumbre negocia apoio de Lira para tentar reeleição à Presidência do Senado
Foto: Divulgação
28 de outubro de 2026publicação
4 minleitura
367acessos

Davi Alcolumbre - União Brasil negocia com Arthur Lira - PP apoio para continuar na Presidência do Senado em 2027. A proposta envolve a ajuda do senador eleito por Alagoas na busca de votos do centro e da direita, com contrapartida de apoio a uma eventual candidatura de Lira ao comando da Casa em 2029.

A CNN Brasil informa que Alcolumbre vê no ex-presidente da Câmara um interlocutor para reduzir resistências no Progressistas, o PP, e entre parlamentares próximos ao bolsonarismo. Um entendimento sobre a sucessão permitiria ampliar o apoio à recondução e preparar espaço para uma disputa de Lira posteriormente.

Na terça-feira, 27 de outubro, a Federação União Progressista declarou apoio à permanência de Alcolumbre. A federação reúne União Brasil e PP. A decisão favorece a articulação do presidente do Senado, mas não encerra as diferenças internas na direita sobre sua continuidade no cargo.

Guilherme Derrite, senador eleito por São Paulo, já disse que não votará em Alcolumbre. Ele defende que a oposição apresente apenas 1 candidato e citou Rogério Marinho - PL e Tereza Cristina como possibilidades. A posição mostra que o apoio das legendas não assegura automaticamente todos os votos de seus parlamentares.

Lira mantém influência entre integrantes de diferentes partidos e experiência em negociações que envolvem governo e oposição. Por isso, aliados de Alcolumbre avaliam que ele pode aproximar o atual presidente de setores ainda resistentes. As tratativas com senadores e dirigentes partidários devem prosseguir até a votação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PT também defende a recondução de Alcolumbre. O apoio é considerado relevante para reunir a maioria necessária na eleição de fevereiro de 2027. A estratégia é somar votos de governistas, do centro e de parte dos oposicionistas para manter o comando da Casa.

Embora Lira tenha apoiado Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, integrantes do governo não descartam sua participação no acordo. Na avaliação de aliados do presidente do Senado, sua interlocução e seu peso político podem ajudar a ampliar o entendimento entre grupos que estiveram em campos distintos na disputa.

Entre os contatos de Lira no Partido dos Trabalhadores, o PT, estão o presidente nacional Edinho Silva, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, e a ministra Gleisi Hoffmann. Essas relações são vistas como caminhos para negociar a próxima Mesa Diretora com diferentes setores políticos.

Parte da resistência oposicionista envolve a forma como Alcolumbre conduz o Senado, especialmente a possibilidade de abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF. Essa divergência mantém a necessidade de negociações individuais, mesmo após a posição anunciada pela federação partidária.

De acordo com a CNN Brasil, Lira não pretende concorrer à Presidência em fevereiro de 2027. Seu objetivo é influir na escolha da próxima Mesa e preparar uma eventual candidatura para 2029. O intervalo permitiria organizar uma base de apoio nos 2 primeiros anos da legislatura antes de tentar suceder Alcolumbre.

Lira também tem interesse na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, a CCJ. O colegiado analisa a constitucionalidade de propostas e participa do exame de indicações para cargos relevantes, entre eles os de ministros de tribunais superiores. Sua direção daria ao senador eleito mais espaço institucional nas conversas com as bancadas.

A distribuição de cargos na estrutura do Senado, portanto, integra a negociação da próxima legislatura. A possível passagem pela CCJ também poderia fortalecer a posição de Lira nos entendimentos com outros partidos e na preparação de seu projeto para a Presidência da Casa em 2029.

Sua atuação como negociador continuou durante a gestão de Hugo Motta - Republicanos na Câmara. Lira participou das conversas para resolver impasses, inclusive a crise em que deputados ocuparam o plenário e chegaram a sentar na cadeira da Presidência. Aliados de Alcolumbre veem nessa experiência uma contribuição para construir maioria no Senado.

Em Alagoas, rearranjos eleitorais também favoreceram a eleição de Lira em 2026. O deputado Alfredo Gaspar foi escolhido para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A decisão alterou a configuração da disputa estadual e beneficiou o caminho do ex-presidente da Câmara ao Senado.

Aliados relacionam ainda a vitória de João Henrique Caldas, conhecido como JHC - PSDB, para o governo alagoano à participação de Lira na montagem de alianças. Nessa avaliação, sua influência em municípios do interior ajudou a construir o resultado e ampliou sua força para negociar no estado e no Congresso Nacional.

A escolha do presidente do Senado será feita em fevereiro de 2027, quando começar a próxima legislatura. A Casa tem 81 integrantes, e são necessários pelo menos 41 votos para vencer a eleição. Alcolumbre tenta alcançar esse número com o apoio de Lula, da federação partidária e da articulação com Lira.