Igreja Católica

Alice Nhamposse defende protagonismo dos jovens e discernimento no uso da tecnologia

Reitora da Universidade Católica de Moçambique analisa encíclica atribuída ao Papa Leão XIV e destaca educação, vínculos comunitários e responsabilidade digital

Alice Nhamposse defende protagonismo dos jovens e discernimento no uso da tecnologia
Foto: Vyacheslav Argenberg, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
20 de outubro de 2026publicação
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Alice Albertina Nhamposse, reitora da Universidade Católica de Moçambique, vinculada à Extensão de Maputo da UCM, defendeu o protagonismo consciente dos jovens no ambiente digital em declarações recentes aos veículos de comunicação do Vaticano. À Rádio Vaticano, a professora e educadora universitária analisou possíveis impactos da encíclica Magnifica Humanitas, atribuída ao Papa Leão XIV, na relação juvenil com a tecnologia.

Identificada no título do material do Vatican News, Alice resumiu sua orientação: "Jovens protagonistas e não meros expectadores do mundo digital". Sua leitura propõe examinar criticamente a realidade digital contemporânea e fazer escolhas que preservem dignidade, liberdade e compromisso com o bem comum.

"A Magnifica Humanitas, MH, do Papa Leão XIV propõe que os jovens não sejam expectadores passivos do mundo digital, mas protagonistas conscientes, o que implica o desenvolvimento de habilidades de discernimento diante de algoritmos, redes sociais, sistemas de inteligência artificial, IA, e evitar dependência excessiva e manipulação", afirmou Alice.

Ao explicar sua análise do documento, chamado MH no release, a reitora declarou: "comecei por ver o efeito da MH nos jovens de hoje, e em particular a importância da convivência crítica com a tecnologia de que o Papa nos fala". Segundo ela, muitos jovens moçambicanos foram surpreendidos pela inteligência artificial porque desconhecem etapas anteriores da comunicação: "não fizeram o percurso geral dos meios de comunicação e a IA os encontra de surpresa".

Alice destacou a formação ética e humanística presente na encíclica. Para a educadora, as máquinas podem auxiliar, mas não substituem capacidades humanas particulares, como amar, escutar e escolher o bem. Na sua avaliação, "o documento incentiva a valorização da empatia, da solidariedade e das relações verdadeiras".

A reitora afirmou que vínculos próximos têm cedido espaço a relações passageiras nas redes sociais. Diante disso, defendeu a orientação dos educadores: "é disto que os educadores devem chamar à atenção aos jovens, para que haja relações duradouras, cimentadas em questões éticas e humanas".

Educação e vínculos comunitários

Falsidades e notícias falsas também integram as preocupações da professora, que associa esse cenário à necessidade de debates sobre dignidade humana, identidade, liberdade e responsabilidade digital. Essas reflexões, segundo Alice, contribuem para uma "cidadania digital responsável".

A educadora defende ambientes digitais orientados pela esperança e pelo cuidado, com fraternidade, verdade e respeito recíproco. Ao tratar do papel da educação no desenvolvimento do respeito entre os jovens, Alice afirmou: "nós, como educadores, deveríamos ter em conta esta chamada de atenção e acolhermos os jovens para lhes fazer perceber esta realidade do respeito mútuo".

Segundo a reitora, a encíclica pode orientar programas educativos e pastorais sobre ética digital e participação comunitária. A proposta inclui valorizar o capital humano e a comunidade, diante da perda do sentido comunitário que ela identifica no individualismo digital. Alice descreveu esse comportamento ao dizer que "prevalece o EU de cada um/a, com o seu telefone,".

Na interpretação da professora, o documento questiona o individualismo e a exclusão, abrindo espaço para iniciativas comunitárias voltadas à justiça social, à solidariedade e ao desenvolvimento integral. Ela destacou a importância dessas ações em regiões moçambicanas marcadas por desigualdades e rápidas transformações digitais.

"Recuperar a questão da identidade, do sentido de pertença a este lugar, a este meu povo que precisa de se desenvolver, é de capital importância", afirmou Alice. A reitora atribuiu à educação a tarefa de "ajudar os jovens moçambicanos a participar na reconstrução de laços sociais, preservando a diversidade cultural, o diálogo inter-geracional e práticas que fortaleçam a coesão social".

Alice também vê oportunidade de integrar fé, cultura e tecnologia para favorecer uma cidadania inclusiva e participativa. Ao abordar a migração digital e a inteligência artificial entre jovens de Moçambique, apontou a distância entre habilidade de uso e condições financeiras de acesso. Segundo a educadora, "o jovem não consegue adquirir as novas tecnologias digitais que, entretanto, utiliza com grande habilidade".

O material traz uma legenda que identifica Alice A. Nhamposse com docentes da extensão e disponibiliza um convite para ouvir e compartilhar a entrevista. Na chamada, a reitora é apresentada como Dr. Alice A. Nhamposse. O encerramento também convida os leitores a acompanhar a newsletter e o canal do WhatsApp.

Fonte: Vatican News. Leia o original.