Fato ou Fake

Aos Fatos mapeia 43 declarações enganosas de Flávio sobre Vorcaro e Banco Master

Levantamento publicado em 24 de setembro identificou 5 estratégias para afastar o candidato do caso. Assessoria foi procurada para comentar as conclusões.

Aos Fatos mapeia 43 declarações enganosas de Flávio sobre Vorcaro e Banco Master
Foto: Foto: Andressa Anholete/Agência Senado, arquivo
19 de outubro de 2026publicação
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O Aos Fatos identificou ao menos 43 declarações enganosas de Flávio Bolsonaro - PL sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Publicado na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, o levantamento organizou 5 estratégias usadas pelo candidato à Presidência para tentar afastar seu nome do caso.

Flávio é investigado por suspeita de corrupção ligada ao financiamento de “Dark Horse”, filme ficcional sobre Jair Bolsonaro. Existem indícios de pagamentos de pelo menos US$ 12,3 milhões por Vorcaro. A Polícia Federal apura se recursos foram desviados para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As investigações permanecem abertas.

Atribuir o caso ao governo Lula foi uma das estratégias. Flávio argumentou que o escândalo ocorria na gestão atual e afirmou que não alcançaria a direita. A checagem aponta que os crimes investigados antecedem o governo e envolvem também apurações sobre servidores do Banco Central indicados na gestão Bolsonaro e dirigentes do Banco de Brasília nomeados por um aliado do ex-presidente. Encontros com Vorcaro, isoladamente, não comprovam irregularidades.

Negar a relação e as mensagens foi outro movimento. Em março, o senador disse não conhecer Vorcaro. Em maio, negou conversas sobre R$ 134 milhões para o filme. Depois, confirmou a autenticidade das mensagens, nas quais tratava o banqueiro de forma próxima e cobrava parcelas do investimento.

Admitir o contato, mas negar irregularidades passou a ser a defesa seguinte. Flávio afirmou ser “apenas um filho buscando investimento privado para o filme do pai”. O Aos Fatos contrapõe que o Master recebeu recursos previdenciários públicos e deixou um rombo estimado em R$ 8 bilhões no Banco de Brasília. Há ainda investigação sobre possível uso de emendas parlamentares no filme e sobre o destino efetivo do dinheiro.

O senador também sustentou que não havia acusações contra Vorcaro quando conversaram. As mensagens divulgadas abrangem setembro a novembro de 2025, enquanto problemas financeiros do banco e uma articulação para salvá-lo já haviam sido revelados em abril daquele ano.

Apresentar uma perícia como prestação de contas foi a 4ª estratégia descrita. Após prometer divulgar despesas, Flávio passou a citar uma análise terceirizada apresentada pela produtora, que dizia não identificar dinheiro público. Segundo a checagem, o documento não detalha as notas fiscais, e o profissional não acessou os gastos nos Estados Unidos, equivalentes a quase 70% das despesas.

Deslocar a discussão para Alexandre de Moraes completou o conjunto. Flávio criticou uma viagem do ministro em aeronave ligada a Vorcaro, mas documentos mostraram que o próprio senador utilizou o mesmo avião em outro voo. Sua defesa foi que a aeronave pertencia a Willer Tomaz na ocasião. O levantamento aponta que Vorcaro possuía 1 terço das cotas por meio da empresa Prime You.

O Aos Fatos procurou a assessoria de Flávio na tarde de quinta-feira, 24 de setembro, inclusive por mensagem, para receber comentários. A reportagem informou que seria atualizada caso houvesse resposta.

O levantamento é do Aos Fatos, em reportagem de Luiz Fernando Menezes publicada em 24 de setembro de 2026. Leia a íntegra no Aos Fatos.