Argentina no debate: inflação recua, mas pobreza e desemprego sobem sob Milei
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a adoção da política argentina no Brasil. Dados oficiais mostram crescimento anual acompanhado de queda no consumo e dificuldades na indústria.

Lula - PT questionou Flávio Bolsonaro - PL no debate presidencial de domingo, 18 de outubro, sobre a possibilidade de adotar no Brasil a política econômica de Javier Milei. A Argentina combina inflação menor e crescimento anual com aumento da pobreza e do desemprego.
A discussão ocorreu após Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, apresentar o governo argentino como referência para reduzir impostos e burocracia. Os indicadores mostram diferenças entre a expansão dos setores exportadores e o desempenho das atividades dependentes do consumo interno.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos, o Indec, o Produto Interno Bruto, o PIB, avançou 2,3% no 1º trimestre de 2026 e 2% no 2º, sempre diante dos mesmos períodos de 2025. Na comparação entre os trimestres, porém, houve queda de 0,6% de abril a junho, descontadas as variações sazonais.
Nesse intervalo, o consumo das famílias caiu 2,4%, o consumo público recuou 2,3% e os investimentos diminuíram 0,8%. Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo, medida dos investimentos, registrou retração de 11,1%.
Preços desaceleram, mas renda e emprego seguem pressionados
A inflação acumulada em 12 meses, que se aproximou de 290%, caiu para cerca de 30% durante os primeiros 2 anos de Milei. Em agosto de 2026, a variação mensal foi de 1,7%, a menor desde junho de 2025. A desaceleração acompanhou cortes de despesas públicas, retirada de subsídios e ajuste fiscal.
A pobreza, que havia alcançado 52,9% em 2024 e depois recuado, voltou a subir: passou de 28,2% no 2º semestre de 2025 para 32,3% no 1º semestre de 2026. Nos 31 aglomerados urbanos pesquisados pelo Indec, eram 9,7 milhões de pessoas nessa condição, na 1ª alta em 2 anos.
A extrema pobreza atingiu 2,2 milhões de pessoas, ou 7,5% da população pesquisada, ante 1,9 milhão e 6,3% anteriormente. O critério considera renda insuficiente para adquirir uma cesta alimentar que atenda às necessidades diárias de energia e proteína.
O desemprego chegou a 7,9% no 2º trimestre, acima dos 7,6% registrados no mesmo período de 2025. A estimativa apresentada é de aproximadamente 1,8 milhão de desempregados nos aglomerados acompanhados. Quase metade da população economicamente ativa trabalha informalmente.
Exportações avançam enquanto indústria perde produção
No 2º trimestre, a pesca cresceu 44,7%, a mineração e extração em pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária, 6,9%. As exportações aumentaram 13,7%, enquanto as importações caíram 8,6%. A indústria manufatureira teve retração de 2,1%, após queda de 1,7% no trimestre anterior.
A Superintendência de Riscos do Trabalho, a SRT, registrou redução de 512.357 para 480.067 empregadores com funcionários registrados entre novembro de 2023 e julho de 2026. Foram 32.290 a menos, queda de 6,3% e 18 meses consecutivos de recuo. A saída do cadastro pode decorrer de ausência de empregados, reorganização ou alteração cadastral, sem representar necessariamente fechamento definitivo.
Segundo o Centro de Economia Política Argentina, o CEPA, as importações de bens de consumo cresceram 34,7% no 1º semestre de 2026 diante de 2023. Na mesma comparação, a produção industrial caiu 12%. Entidades empresariais também apontam consumo enfraquecido, energia cara e dificuldades de financiamento.