Artigo aborda missão e centenário do Dia Mundial das Missões
Coluna Lusofonias, do Vatican News, reúne mobilização pela paz, mensagem dos bispos de Portugal e experiência missionária na fronteira entre Quênia e Somália

O centenário do Dia Mundial das Missões e os desafios da atuação missionária são o tema de um artigo da coluna Lusofonias, do Vatican News. Com título dedicado à missão e aos cem anos da celebração, o texto reúne iniciativas de oração pela paz, reflexões dos bispos de Portugal e uma experiência na Missão de Wenje, na fronteira entre Quênia e Somália. O autor defende que a avaliação dos acontecimentos seja feita depois de uma reflexão sobre seus efeitos pastorais.
Outubro, tradicionalmente dedicado à Missão e ao Rosário, é o período abordado na publicação. O artigo relata que Leão XIV criou a iniciativa Rosário pela Paz e situa essa ação antes da descoberta de câncer nos pulmões mencionada no relato. Segundo o texto, durante uma visita a Lourdes, o papa pediu orações especiais pela paz, com a recitação do Rosário ao longo de outubro.
Nos Jardins do Vaticano, Leão XIV rezou o Terço acompanhado de 700 crianças. A iniciativa propôs 50 milhões de Ave-Marias pela paz, caracterizada pelo papa como desarmada e desarmante. Ao falar do Rosário, Leão XIV o definiu como "uma oração simples, que todos podem rezar". O pontífice também destacou a mobilização mundial de oração pela paz, "para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta". O autor afirma ter participado dessa mobilização.
Em Portugal, os bispos divulgaram uma mensagem para o Mês Missionário, marcada pelos 100 anos do Dia Mundial das Missões. Ao agradecer aos missionários e às comunidades cristãs, os bispos afirmaram: "Este centenário é ocasião de gratidão. Gratidão por tantos missionários e missionárias que deixaram a sua terra, aprenderam outras línguas, partilharam a vida de outros povos e anunciaram o Evangelho muitas vezes em circunstâncias de enorme exigência. Gratidão também pelas comunidades cristãs que, ao longo destas décadas, compreenderam que a missão não pertence a alguns especialistas: faz parte da própria identidade da Igreja".
A mensagem reforçou a importância da atuação missionária fora do país e apontou mudanças na distribuição territorial dessa atividade. Os bispos de Portugal escreveram que "a geografia da missão mudou também diante dos nossos olhos. Hoje, a missão passa pelas nossas cidades, aldeias, escolas, universidades, famílias e lugares de trabalho. Passa por aqueles que se afastaram da fé, por gerações que já não receberam o anúncio cristão e também pelo encontro quotidiano com pessoas de diferentes culturas e tradições religiosas. Não se trata de olhar para esta realidade com medo. Trata-se de reconhecer nela um apelo. Portugal é também, hoje, terra de missão".
Sobre o objetivo missionário, os bispos de Portugal defenderam "gerar homens e mulheres novos, capazes de viver segundo a lógica das Bem-aventuranças e de levar ao mundo a paz, a justiça, a fraternidade e a esperança que nascem do Evangelho".
Solicitado pelo Centro Missionário da Arquidiocese de Braga, dom Pedro Fernandes, bispo de Portalegre e Castelo Branco e missionário espiritano, escreveu sobre a missão na atualidade. A Agência Ecclesia também publicou a reflexão intitulada Cem anos de comunhão. O bispo afirmou que "não falamos de missão de modo abstrato, com belos discursos retóricos e pouco relacionados com as questões reais das pessoas reais. Para nós, cristãos, a missão é sempre encarnada e a nossa intervenção faz-se sempre com base na atenção concreta às pessoas concretas, num pressuposto de empatia, solidariedade e compromisso com todos, especialmente com os mais frágeis. E isso em nome de Deus e do Evangelho que em Jesus Cristo nos comunicou e nos encarregou de anunciar, também com palavras… mas sobretudo com obras, olhar crítico, intervenção assertiva, posicionamentos coerentes com o Amor, de modo sereno e firme".
O artigo aponta desafios para colocar essa reflexão em prática e apresenta Wenje, onde descreve forte predominância do islamismo e pobreza agravada pela seca. Enviado para atuar na missão, o padre angolano e missionário espiritano Martins Mandele reuniu crianças em resposta ao pedido de Leão XIV. Elas rezaram coletivamente pela paz mundial.
Ao defender acompanhamento e formação religiosa, Martins Mandele declarou: "Que ninguém diga: ‘São apenas crianças!’. Não! São pequenos missionários. São sementes que Deus colocou no coração da Igreja. Cabe-nos cuidar delas, acompanhá-las, formar a sua fé e ajudá-las a descobrir que também podem fazer a diferença".
Roma, Portugal, Portalegre, Castelo Branco e Wenje integram o percurso das celebrações apresentado no artigo. O Outubro Missionário celebrou o centenário da instituição do Dia Mundial das Missões. A publicação também convida os leitores a assinar a newsletter e acompanhar o canal no WhatsApp.
Fonte: Vatican News. Leia o original.