Ato por Lula ocupa sete quarteirões em Copacabana e reúne escolas de samba e blocos na Lapa
Mobilização na segunda-feira, 12 de outubro, levou trabalhadores, estudantes e famílias às ruas por direitos sociais e democracia no segundo turno.

Manifestantes em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva - PT ocuparam cerca de sete quarteirões em Copacabana e se reuniram com escolas de samba, blocos e artistas na Lapa na segunda-feira, 12 de outubro. Com bandeiras, música e participação de trabalhadores e estudantes, os atos no Rio de Janeiro deram uma medida da mobilização nas ruas para o segundo turno. Não foi divulgada estimativa oficial de público.
A defesa da educação pública, dos direitos sociais e do fim da escala 6x1 acompanhou os pedidos pela reeleição do presidente. Também houve protestos contra a candidatura de Flávio Bolsonaro - PL, e contra uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em Copacabana, organizações sociais e movimentos estudantis chamaram o público para uma concentração ao meio-dia, no Posto 5. O ponto escolhido ficava entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira, na Avenida Atlântica. A Praça do Lido estava prevista como destino da caminhada.
No começo da tarde, cartazes favoráveis a Lula, bandeiras brasileiras e camisetas vermelhas apareciam ao longo da orla. Famílias levaram crianças, enquanto estudantes, sindicalistas, integrantes de atléticas universitárias e de torcidas organizadas se juntaram à manifestação. O público também cantou o Hino Nacional e ouviu discursos.
A professora aposentada Clara Davidorch, de 87 anos, participou acompanhada por duas amigas, uma de 85 e outra de 82 anos. Em relato à Agência Brasil reproduzido pela Mídia Ninja, ela disse frequentar manifestações pela reeleição desde agosto e recordou a luta para que as mulheres conquistassem o voto.
Outra participante foi Suelen Geovana, de 25 anos, que saiu de Campo Grande, na Zona Oeste carioca. Aluna de pós-graduação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a UFRRJ, ela entrou na instituição pelas cotas. Seu relato chamou atenção para as políticas de acesso ao ensino superior destinadas à juventude de baixa renda.
Entre os políticos presentes estavam Benedita da Silva e Lindbergh Farias, ambos do PT, e Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. Glauber Braga, do Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, criticou Flávio Bolsonaro e pediu conversa com quem ainda não decidiu o voto. A deputada estadual Elika Takimoto - PT também participou e publicou imagens nas redes.
A dispersão na orla começou por volta das 16h. Uma parte dos participantes foi para o Centro, onde a programação nos Arcos da Lapa havia começado às 15h. A passagem entre os dois atos aproximou a manifestação de estudantes e trabalhadores da mobilização organizada por sambistas.
Na Lapa, as baterias de Mangueira, União de Maricá e Império Serrano tocaram junto de blocos, rodas de samba e músicos. Teresa Cristina, Neguinho da Beija-Flor, Arlindinho e Mestre Ciça estavam entre os nomes da programação, que atravessou a tarde e chegou ao início da noite.
O carnavalesco Leandro Vieira convocou o encontro com o nome “O samba não se cala, a luta é na rua”. Entre apresentações e palavras de ordem contra Bolsonaro, o apoio a Lula reuniu gerações diferentes do samba. A proposta era colocar na mesma manifestação quem trabalha nas escolas, nos blocos e nas rodas.
Samba, democracia e conversa sobre o voto
Leandro, da Imperatriz Leopoldinense, iniciou a articulação depois de uma declaração de Flávio Bolsonaro sobre a Constituição. Na terça-feira, 6 de outubro, em Goiânia, o candidato disse que pretendia aproveitar a nova composição do Congresso para mudar o texto constitucional e “redemocratizar o país”. Segundo os organizadores, a fala motivou a reação dos sambistas em defesa da democracia.
Para organizar a mobilização, o carnavalesco procurou outras agremiações e convidou ativistas e produtores culturais. Dríade Aguiar, cofundadora da Mídia Ninja e uma das articuladoras, contou que o grupo ajudou a transformar o chamado em uma manifestação de rua.
“Ele nos chamou pra perto, pra que a gente compartilhasse essa tecnologia de como fazer o ato, pra além da força da comunicação”, afirmou Dríade à Mídia Ninja. O trabalho envolveu a experiência de convocar pessoas e preparar manifestações, junto à capacidade de comunicação dos participantes.
A articulação alcançou cinco ligas do carnaval de rua, que anunciaram a participação de 67 blocos. Cordão do Boitatá, Carmelitas, Simpatia é Quase Amor e Gigantes da Lira estavam nessa lista. Também aderiram rodas como Feira das Yabás, Terreiro de Crioulo e Roda de Samba da Pedra do Sal.
Para os responsáveis pelo ato, essa presença estava ligada à liberdade de expressão e ao direito de usar os espaços públicos. Dríade explicou a aproximação entre os diferentes grupos pela circulação das mesmas pessoas entre as atividades: “Quem vai à escola de samba também pula bloco, quem vai em bloco também vai em roda”.
A escolha da Lapa acompanhou essa proposta de encontro. Ao explicar o local, Dríade citou sua relação com a história do samba e com a música nas ruas. Nos dias de preparação, a convocação alcançou ainda movimentos sociais, ativistas e lideranças políticas, além dos trabalhadores da cultura.
Durante o encontro, Leandro usou o microfone para pedir continuidade às conversas sobre a eleição. A orientação aos participantes foi levar o debate sobre democracia e direitos a familiares e amigos, estendendo a mobilização para depois das apresentações e para além do público que já estava na Lapa.
Dríade relacionou a manifestação à trajetória do samba nas comunidades negras e populares, onde a festa também abre espaço para denunciar desigualdades. Ao comentar a reunião de músicos, sambistas, ativistas e políticos, resumiu: “Isso foi uma confluência de paixões e desejos”. A ocupação das ruas associou essa tradição à disputa pelo voto no segundo turno.
Com informações da Mídia Ninja.