Igreja Católica

Bispo e imame cobram responsabilidade política e reconciliação na Guiné-Bissau

Dom Vítor Quematcha e Cheikh Mamadu Djau Djaló defendem diálogo, liberdades fundamentais e ações para superar divisões no país

Bispo e imame cobram responsabilidade política e reconciliação na Guiné-Bissau
Foto: Vyacheslav Argenberg, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
31 de outubro de 2026publicação
2 minleitura
337acessos

Dom Vítor Quematcha, bispo da Diocese de Bafatá, na Guiné-Bissau, e Cheikh Mamadu Djau Djaló, imame da Mesquita Central de Mansoa, no norte do país, cobraram responsabilidade dos dirigentes políticos guineenses. Os dois religiosos defendem reconciliação nacional, liberdades fundamentais e convivência pacífica como caminhos para a estabilidade e a construção de uma sociedade justa e pacífica.

Quematcha participou da reflexão semanal do programa Palavra de Vida, transmitido pela Rádio Sol Mansi. Ao abordar as dificuldades institucionais e as preocupações com as liberdades fundamentais, o bispo ressaltou a necessidade de responsabilidade, serenidade e união pelo bem comum. Em sua mensagem, apresentou o exercício do poder como serviço à população e rejeitou que a autoridade seja tratada como posse pessoal.

"O Evangelho convida os responsáveis políticos, civis, militares e administrativos a compreenderem a autoridade como um serviço", afirmou Dom Vítor Quematcha. Para o bispo da Diocese de Bafatá, as autoridades devem responder aos cidadãos e defender os interesses coletivos. Sua reflexão relacionou a responsabilidade dos dirigentes ao compromisso com a população e com o bem comum.

O bispo também convocou os líderes religiosos a colaborar com a reconciliação e a contribuir para o desenvolvimento das comunidades. Segundo Quematcha, a convivência entre religiões permite que cada pessoa preserve a própria identidade, mas exige maturidade, humildade e respeito às diferenças. Ele associou a justiça social ao respeito à diversidade e apontou a rejeição à violência como princípio fundamental.

Ao se dirigir aos jovens, Quematcha incentivou a participação responsável na vida social e o desenvolvimento da consciência crítica. "A construção de uma sociedade melhor exige participação responsável, consciência crítica, respeito pelas diferenças e rejeição da violência. A Igreja deve ser uma voz de consciência, reconciliação e esperança", declarou o bispo. O prelado defendeu ainda liberdade para anunciar a verdade e uma Igreja próxima das pessoas em sofrimento.

O apelo de Cheikh Mamadu Djau Djaló ocorreu no sábado, durante a cerimônia de lançamento do livro Voz de Paz, da qual participou como padrinho do evento. O imame cobrou diálogo e reconciliação efetiva dos responsáveis políticos. Para ele, alcançar esses objetivos depende da vontade dos próprios atores políticos, de compromisso e de entendimento para superar as divisões.

"Lanço este desafio às autoridades políticas e militares, bem como aos líderes religiosos e a todos os filhos da Guiné-Bissau. É necessário promovermos o diálogo em busca de soluções, porque chegou o momento de conversarmos com seriedade, sinceridade e o coração limpo", afirmou Cheikh Mamadu Djau Djaló, imame da Mesquita Central de Mansoa.

Djaló pediu ações concretas para unir os guineenses e conversas sérias e sinceras para encontrar soluções. Seu chamado alcançou autoridades políticas, militares, líderes religiosos e os demais guineenses. Assim como Quematcha, o imame considera a reconciliação essencial à estabilidade da Guiné-Bissau e à construção de uma sociedade justa e pacífica.

O texto foi publicado pelo Vatican News. A publicação também convida os leitores a assinar sua newsletter e oferece acesso ao seu canal no WhatsApp.

Fonte: Vatican News. Leia o original.