Bukele reconheceu reeleição de Lula por carta enviada no domingo da votação
Presidente de El Salvador, próximo ao bolsonarismo, propôs manter diálogo e cooperação. Trump e Milei ainda não haviam felicitado o brasileiro.

Nayib Bukele, presidente de El Salvador e aliado do bolsonarismo na América Latina, reconheceu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva - PT em uma carta enviada no domingo, 25 de outubro, data do 2º turno. A mensagem também expressou disposição para manter o diálogo e a cooperação com o Brasil.
A Folha de São Paulo teve acesso à correspondência, encaminhada pela Embaixada de El Salvador em Brasília. Bukele adotou uma comunicação reservada, enquanto outros chefes de Estado e de governo recorreram às redes sociais para reconhecer publicamente a vitória de Lula.
O presidente salvadorenho incluiu na saudação as autoridades de seu país, a população e sua família. Na carta, escreveu: “Em nome do povo e do Governo da República de El Salvador, de minha esposa Gabriela e em meu próprio nome”.
Ao felicitar o brasileiro, Bukele afirmou: “Apresento a Vossa Excelência minhas felicitações por sua reeleição como Presidente da República Federativa do Brasil”. A manifestação formalizou o reconhecimento do resultado eleitoral, apesar das relações políticas do salvadorenho com adversários de Lula.
Durante a campanha, o senador Flávio Bolsonaro - PL, que enfrentou Lula na disputa presidencial, usou a política de segurança de El Salvador como referência para suas propostas. A aproximação também envolveu contatos com integrantes da administração salvadorenha.
Gustavo Villatoro, ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, encontrou Flávio em uma visita ao Brasil. Esse contato reforçou os vínculos entre o grupo do senador e o governo de Bukele, que, mesmo assim, enviou as felicitações ao presidente reeleito.
Na correspondência, Bukele indicou interesse em preservar os canais diplomáticos e ampliar a cooperação bilateral, apesar das diferenças políticas entre as administrações. O gesto segue o protocolo de felicitações entre chefes de Estado e separa a relação institucional entre os países dos vínculos com aliados brasileiros.
Sobre essa disposição, o salvadorenho declarou: “Nesta ocasião, reitero a disposição da República de El Salvador de continuar fortalecendo as relações de amizade e cooperação entre nossos países, com base no respeito mútuo e no interesse comum de promover o bem-estar de nossos povos”.
A postura difere da adotada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Javier Milei, presidente da Argentina. Conforme o levantamento da Folha, eles permaneciam como os 2 líderes do continente americano que ainda não tinham parabenizado Lula pela reeleição.
Trump foi além da ausência de felicitações e questionou a lisura da eleição brasileira. Na segunda-feira, 26 de outubro, alegou fraude sem apresentar provas. Na terça-feira, 27 de outubro, voltou a lançar suspeitas sobre a contagem dos votos e o funcionamento da votação.
Ao comentar o processo eleitoral, Trump afirmou: “Passou uma impressão muito ruim. A eleição, a maneira como os votos foram contabilizados, sabe? Com a prorrogação do horário de votação, foi muito estranho”. Essas suspeitas se somaram à ausência de um reconhecimento público da vitória de Lula pelo presidente americano.
As manifestações do americano ocorreram enquanto Flávio se recusava a reconhecer a derrota. O senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e alegou perseguição política após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o STF, determinar o recolhimento de seus passaportes. Flávio é alvo de 2 inquéritos, em um contexto de tensão política depois do 2º turno.