Campanha de Lula pedirá cassação da chapa de Flávio por suposto favorecimento nas redes
Ação aponta manipulação de ferramentas da Meta e do X. Ministro deu 24 horas para a Meta comprovar tratamento igual na distribuição de conteúdo político.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PT vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro - PL por suposta “manipulação algorítmica” da Meta em favor do candidato nas redes sociais. A iniciativa foi noticiada pela Folha de S.Paulo e confirmada à Exame por integrantes da campanha.
O argumento é que ferramentas de inteligência artificial e de recomendação da Meta e do X teriam sido usadas para ampliar a circulação de publicações de Flávio e aliados e reduzir o alcance de Lula e seus apoiadores. A Meta controla Facebook, Instagram e WhatsApp. Entre os aliados apontados como beneficiados está o deputado federal Nikolas Ferreira - PL, de Minas Gerais.
A acusação da campanha ainda será apresentada na ação. O material da Exame não traz resposta da Meta nem da campanha de Flávio a esse pedido de cassação.
O movimento ocorre depois de 2 decisões do ministro Marco Aurélio Bellizze. Na mais recente, desta segunda-feira, 19 de outubro, ele deu 24 horas para a Meta demonstrar que não restringe o alcance de postagens favoráveis a nenhum dos 2 candidatos e que cumpre a ordem anterior de garantir igualdade na distribuição de conteúdo político.
A determinação exige que a empresa deixe de diminuir a circulação de publicações, bloquear recomendações ou limitar resultados nas buscas. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 1 milhão por dia.
Um dos exemplos apresentados pela campanha envolve a geração de imagens por inteligência artificial. Segundo a acusação, a ferramenta da Meta recusava pedidos que reuniam o nome de Lula e o número 13, mas aceitava conteúdo com Flávio e o número 22.
Desde a quarta-feira, 14 de outubro, a campanha vem encaminhando petições ao tribunal com situações que considera irregulares. Entre os documentos estão informações de reportagem da Folha de S.Paulo na qual funcionários da Meta admitem restrições indevidas à circulação de conteúdo de Lula.
Também foi citado um levantamento da organização CTRL+Z, com 1.121 relatos sobre perfis favoráveis ao presidente que teriam sido removidos, sofrido restrições ou perdido alcance.
Outro episódio, segundo a campanha, ocorreu da noite da sexta-feira, 9 de outubro, à manhã do sábado, 10 de outubro. Nesse intervalo, o perfil @lulaoficial no Instagram teria ficado impossibilitado de impulsionar publicações no feed, sem explicação.
Na quarta-feira, 23 de setembro, a Meta havia desativado a conta de anúncios Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente. A petição relata que a empresa reconheceu depois que a desativação resultou de 2 restrições anteriores classificadas indevidamente como graves.
A coligação também apresentou comparações de desempenho entre os candidatos. Embora tivesse 17,2% menos seguidores, o perfil de Flávio teria alcançado média de curtidas e comentários 2,96 vezes maior entre a quinta-feira, 1º de outubro, e a quarta-feira, 7 de outubro. Nos reels, os dados apontam média de 15,64 milhões de visualizações para o adversário, contra 5,91 milhões para Lula, além de taxa de interação 3,58 vezes maior.
O perfil de Nikolas é outro alvo dos questionamentos. Segundo a campanha, a conta, com 22,9 milhões de seguidores, teria cerca de 40 milhões de visualizações por vídeo. A coligação compara esse desempenho ao de perfis com mais de 300 milhões de seguidores, citando Kylie Jenner. Esses números compõem o argumento apresentado pela campanha sobre tratamento desigual nas plataformas.
Com informações da Exame e da Folha de S.Paulo.