Chapa única e clima de união marcam processo eleitoral na maçonaria tocantinense
Votação será em novembro

Palmas (TO) — Enquanto o país acompanha o noticiário político nacional, um outro processo eleitoral se desenha no Tocantins, longe dos holofotes, mas com semelhanças curiosas com a República: a cada quatro anos, a maçonaria tocantinense também troca de gestão. E o calendário do pleito já tem seus próximos capítulos definidos: neste sábado, 19 de setembro de 2026, a Grande Loja Maçônica do Estado do Tocantins (GLMET) realiza a Assembleia Convencional de Homologação da Chapa Única.
A eleição propriamente dita está marcada para o dia 20/11/26. O processo eleitoral deste ano tem um traço marcante: apenas uma chapa foi inscrita. O prazo para registro de candidaturas encerrou na segunda-feira, 14 de setembro, com o registro da chapa única "Transparência e União", encabeçada por Thiago Alves Miranda, candidato ao cargo de Grão-Mestre. O mais alto posto da administração maçônica estadual.
Na chapa ele tem como companheiro José Humberto Alves, que concorre ao cargo de Grão-Mestre Adjunto. Ambos os candidatos já integram a atual gestão: Miranda ocupa a vice-liderança, enquanto Alves exerce a função de secretário. A continuidade dos nomes, somada à ausência de chapa adversária, sugere que o processo de renovação que toda eleição representa deve transcorrer de forma harmônica e unida.
A votação de novembro reunirá representantes das 37 lojas que congregam com a GLMET, espalhadas pelo território tocantinense. Trata-se de um processo eleitoral como outro qualquer, porém com "salgado mistério". Se os "segredos" da maçonaria intrigam a sociedade e costumam estampar manchetes sensacionalistas, o pleito interno da GLMET mostra que, no que diz respeito à gestão, a instituição funciona de forma bastante familiar: há prazo de inscrição, registro de chapa, assembleia de homologação e data marcada para a eleição, dentro das normas estatutárias.
Para os leigos, os "profanos", como são denominados os não-maçons, vale uma curiosidade etimológica: em francês, maçon significa pedreiro, e as lojas nada têm a ver com comércio. Vêm de loge, os alojamentos onde os pedreiros se reuniam.
A maçonaria, na definição do francês Jean-Baptiste Willermoz, é "uma escola na qual o candidato é provado gradualmente para formar um homem moral, útil em toda a sociedade humana", sob o véu de símbolos, emblemas e alegorias que exercitam a inteligência. Segundo ele, é "adocicado por alguns divertimentos sociais, honrosos e decentes", interessantes "pelo salgado mistério que os acompanha".
E mistérios à parte, o que estará em jogo nas próximas semanas é bastante concreto: a escolha da administração que conduzirá as 37 lojas da GLMET pelos próximos quatro anos. Se a chapa "Transparência e União" for homologada neste sábado e confirmada nas urnas em 20 de novembro, Thiago Alves Miranda assumirá o Grão-Mestrado com a missão de renovar a gestão: "Queremos trabalhar para uma maçonaria atualmente e acima de tudo, transparente, buscando sempre a união de todos", afirmou.