Cid Gomes vence o irmão Ciro pela terceira vez e fortalece o PSB no Ceará
Cid foi eleito ao Senado, Ciro perdeu a disputa pelo governo e o racha da família chegou ao terceiro capítulo

A eleição de Cid Gomes (PSB) para o Senado e a derrota de Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo do Ceará marcaram a terceira vitória do senador sobre o irmão, em uma briga familiar que já passou por três votações. A leitura é do colunista Carlos Madeiro, do UOL.
Neste ano, os dois estiveram em palanques opostos. Cid apoiou Elmano de Freitas (PT) ao governo, e a chapa inteira que ele integrou saiu vitoriosa, com Luizianne Lins (Rede) também eleita. Ciro foi derrotado, assim como seus dois candidatos ao Senado, Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). Aliados dele, como o ex-prefeito Sarto (PSDB) e o deputado Mauro Benevides Filho (União Brasil), também ficaram sem vaga na Câmara dos Deputados. O PSB elegeu quatro deputados federais e 13 estaduais, a maior bancada na Assembleia Legislativa.
O racha começou em 2022, quando os dois ainda estavam no PDT e divergiram sobre o candidato do partido ao governo. Naquela eleição, Ciro, candidato a presidente, teve 6% dos votos no Ceará. Depois, Cid saiu do PDT e foi para o PSB, levando 40 prefeitos. Em 2024, o PSB elegeu 65 prefeitos no estado, contra cinco do PDT.
Ouvida pela coluna, a cientista política Monalisa Torres, da Uece, avalia que o resultado mostra a força de Cid e um provável fim de linha para Ciro, que não se pronunciou após a eleição. Segundo ela, apesar da votação expressiva, as principais apostas de Ciro não deram certo, e ele venceu em Sobral, mas o resultado geral do grupo foi desastroso. Monalisa lembra ainda que Cid é o primeiro senador do Ceará reeleito de forma consecutiva e que o PSB passa a disputar o comando do grupo governista, hoje conduzido pelo PT.
No campo da oposição, a saída de Ciro abre espaço para o deputado federal André Fernandes (PL), o mais votado do estado, com 684 mil votos.