Igreja Católica

Cornélio Mussá defende ações cotidianas para garantir respeito à dignidade humana

Professor da Universidade Católica de Moçambique relaciona proteção das pessoas à responsabilidade das instituições, às políticas públicas e ao compromisso social

Cornélio Mussá defende ações cotidianas para garantir respeito à dignidade humana
Foto: Vyacheslav Argenberg, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
20 de outubro de 2026publicação
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O especialista em Ciências Políticas e Relações Internacionais Cornélio Abdul Mussá defendeu que a dignidade humana seja reconhecida em práticas cotidianas e nas decisões das instituições. Docente da Universidade Católica de Moçambique, Extensão de Maputo, ele concedeu declarações recentes aos veículos de comunicação do Vaticano. O Vatican News identifica o conteúdo como entrevista com o professor Cornélio Mussá.

Ao abordar a construção de sociedades justas, o professor associou a proteção da dignidade de cada pessoa à solidariedade e à humanização social. “Um dos maiores desafios do nosso tempo é transformar o reconhecimento da dignidade humana, muitas vezes apenas no plano dos princípios, numa prática concreta de respeito, solidariedade, justiça e fraternidade”, afirmou Cornélio Abdul Mussá.

Na entrevista, Magnifica Humanitas, também identificada pela sigla MH, é apresentada como encíclica do papa Leão XIV. Mussá interpreta o documento como uma convocação ao compromisso coletivo. Para o docente, reconhecer a dignidade “essencialmente é reconhecer a grandeza, o valor e a singularidade de cada ser humano, independentemente da sua condição social, económica, cultural, política, religiosa ou de qualquer outra circunstância”.

Segundo Mussá, a dignidade é inseparável da condição humana e não é concedida pelo Estado, pelas instituições ou pela sociedade. Ele rejeita o uso das pessoas como instrumentos para atingir objetivos, “pois cada pessoa é um fim em si mesma e nunca deve ser tratada simplesmente como meio para alcançar determinados objetivos”, declarou o professor. Por isso, sustenta que decisões e ações precisam colocar as pessoas em primeiro lugar.

Essa compreensão exige enfrentar humilhação, discriminação, violência, exclusão e desumanização, conforme o especialista. Mussá também cobra respeito aos direitos fundamentais de todas as pessoas e defende que cada indivíduo tenha assegurado o reconhecimento como ser humano. Para ele, posições, funções e circunstâncias não modificam o valor humano: todas as pessoas têm igual valor e merecem respeito.

Respeito nas relações e responsabilidade institucional

Ao tratar das relações cotidianas, Mussá afirmou que “dignidade não se protege apenas através de grandes declarações ou de instrumentos jurídicos, ela se deve manifestar nas pequenas atitudes do quotidiano: na forma como tratamos o próximo, na maneira como escutamos os que pensam diferente de nós, no respeito pela pessoa vulnerável, na proteção da criança, do idoso, da pessoa com deficiência, da pessoa em situação de pobreza e de todos aqueles que, por diferentes razões, se encontram em situação de maior fragilidade”.

O professor também vinculou essa proteção à atuação institucional e profissional. Segundo Mussá, “é necessário criar condições concretas para que essa dignidade seja efetivamente vivida, e isso exige instituições responsáveis, profissionais comprometidos, políticas públicas orientadas para a pessoa e, sobretudo, uma cultura de respeito pelo outro”.

Diante de mudanças profundas nas áreas social, econômica e tecnológica, o docente alertou contra avanços alcançados mediante prejuízos às pessoas. Para ele, ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento devem melhorar vidas. Mussá propõe instituições que articulem ciência, ética, conhecimento e responsabilidade, além de aproximar inovação, humanidade, competência profissional e compromisso social.

Ao reforçar a necessidade de transformar princípios em atitudes, Mussá declarou que “um dos maiores desafios do nosso tempo é transformar o reconhecimento da dignidade humana, que muitas vezes permanece no plano dos princípios, numa prática concreta de respeito, solidariedade, justiça e fraternidade”. O artigo também convida o público a ouvir o conteúdo, compartilhar e acompanhar as informações pela newsletter e pelo WhatsApp.

Fonte: Vatican News. Leia o original.