Debate presidencial: dados corrigem falas sobre prisões, economia e direitos indígenas
Aos Fatos verificou declarações de Lula e Flávio Bolsonaro em tempo real. Confira 8 checagens sobre afirmações apresentadas pelos candidatos.

O Aos Fatos verificou em tempo real as declarações de Lula - PT e Flávio Bolsonaro - PL no debate presidencial de domingo, 18 de outubro. As checagens identificaram afirmações que conferem com os registros e outras que omitem informações ou contrariam os dados. Confira 8 delas.
Flávio e a soltura de presos. O senador atribuiu ao governo uma política que libertaria criminosos perigosos por falta de vagas. O plano Pena Justa, elaborado com o Conselho Nacional de Justiça por determinação do Supremo Tribunal Federal, não prevê soltura indiscriminada. As penas alternativas dependem dos requisitos legais. A saída antecipada por ausência de vaga no regime adequado decorre de entendimento judicial de 2016 e também exige decisão da Justiça.
Lula e o crescimento em 2010. O presidente mencionou expansão econômica de 7,5% naquele ano. De fato, o Produto Interno Bruto, o PIB, cresceu 7,53%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O dado corresponde ao último ano de seu 2º mandato, e não à média de todo o período em que governou.
Lula e os anos com crescimento acima de 3%. Ele afirmou que a economia só voltou a superar esse patamar depois de seu retorno à Presidência. Não é verdade: a expansão foi de 3,97% em 2011, 4,6% em 2021 e 3,02% em 2022. Os resultados de 2021 e 2022 ocorreram durante a recuperação posterior à retração registrada no início da pandemia.
Flávio e os juros futuros. O candidato disse que as taxas caíram 2% depois de terminar o 1º turno à frente. De fato, houve uma queda expressiva, mas o movimento variou entre contratos. O senador confundiu percentual com pontos percentuais. O contrato com vencimento em janeiro de 2035, por exemplo, caiu de 14,13% para 12,37%, recuo de 1,76 ponto percentual. Outros fatores, além da eleição, também influenciam os juros.
Lula e os recursos dos aposentados. Ao falar do esquema de descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, o presidente apresentou R$ 6 bilhões como dinheiro arrecadado dos investigados. A checagem aponta confusão entre bloqueio e recuperação: aproximadamente R$ 6,1 bilhões em bens e recursos foram bloqueados judicialmente. Os ressarcimentos aos beneficiários foram pagos com recursos públicos; recuperar os valores depende dos processos.
Flávio e as viagens de Lula e Janja. O senador atribuiu R$ 7 bilhões a deslocamentos do casal. Esse número reúne viagens a serviço de diferentes órgãos e servidores federais entre 2023 e 2025. No mesmo período, as despesas da Presidência com viagens foram de R$ 150,5 milhões. A consulta disponível não permite separar quanto foi gasto exclusivamente com os deslocamentos do presidente.
Lula e as terras indígenas. O presidente reivindicou a maior demarcação do país. Embora os governos petistas tenham avançado nessa área, o Instituto Socioambiental registra 142 homologações durante Fernando Henrique Cardoso, contra 124 nos mandatos de Lula e Dilma Rousseff. A área também foi maior na gestão de Fernando Henrique: 41,2 milhões de hectares, diante de 24,6 milhões nos governos petistas.
Flávio e o prontuário eletrônico. O candidato prometeu criar uma integração nacional dos registros de saúde. O país já possui a Rede Nacional de Dados em Saúde, criada em 2020, e o Prontuário Eletrônico do Cidadão na atenção primária. Em agosto de 2026, a rede reunia mais de 5 bilhões de registros. Isso não significa integração completa: ainda existem prontuários fora dela.
As checagens são do Aos Fatos, em reportagem de Bianca Bortolon, Luiz Fernando Menezes e Luiza Vezzá. Leia a íntegra no Aos Fatos.