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Dilma diz que governo Lula facilita o trabalho do banco do Brics e cita quase R$ 24 bi para o Brasil

Em entrevista à TV 247, a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento falou dos projetos no país, do hospital inteligente do SUS e do uso de moedas locais.

Dilma diz que governo Lula facilita o trabalho do banco do Brics e cita quase R$ 24 bi para o Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/PR
10 de outubro de 2026publicação
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A presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, disse que o fato de Lula ser o presidente do Brasil "certamente influi" no trabalho do chamado banco do Brics no país. Em entrevista aos jornalistas Leonardo Attuch e Fernando Morais, exibida neste sábado (10) pela TV 247, do portal Brasil 247, ela afirmou que "um presidente que tem esse compromisso, ele facilita, o governo dele facilita o nosso trabalho", porque o banco depende dos projetos e das prioridades apresentados por cada país.

Segundo Dilma, desde que ela assumiu o comando do banco, em março de 2023, foram aprovados R$ 23,95 bilhões para o Brasil. Pela conta dela, cerca de R$ 20,6 bilhões foram para a União, estados e municípios, com garantia soberana, e R$ 3,35 bilhões para empresas privadas. Entre os exemplos, citou R$ 1,1 bilhão para água e saneamento em Pernambuco, R$ 1,06 bilhão para a rede de distribuição da CPFL no interior paulista e o financiamento de uma linha de transmissão de 800 kV, com cerca de 1.500 km entre Graça Aranha (MA) e Silvânia (GO), que leva energia renovável do Nordeste para o Sudeste.

O projeto que Dilma mais destacou foi o hospital inteligente do SUS, que será construído no complexo do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo. Em janeiro, Lula assinou com o NDB o contrato de financiamento de cerca de R$ 1,7 bilhão para a obra, como noticiou o Poder360. Na entrevista, ela disse que o hospital vai usar tecnologia da China, da Índia e da Rússia e servir de modelo para outras regiões. Para Dilma, o SUS "talvez seja uma das maiores tecnologias sociais do mundo". "Nós não queremos ser consumidores de tecnologia, nós queremos ser produtores", afirmou.

Dilma também explicou que o NDB financia o que os países pedem e não impõe condições como privatizações, prática que, segundo ela, era comum em outros organismos no passado. "A nossa função é respeitar a prioridade do país, respeitar o que ele considera a sua prioridade", disse. Sobre o dólar, afirmou que "o banco não está discutindo desdolarizar a economia". A ideia, de acordo com ela, é ampliar o uso de moedas locais para que a dívida de um país não fique sujeita a decisões de política monetária tomadas fora dele.

Segundo Dilma, o banco tem hoje dez membros: os cinco fundadores do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), além de Emirados Árabes Unidos, Egito, Bangladesh, Argélia e Uzbequistão. Ela disse que Etiópia, Angola e Zimbábue já tiveram a entrada aprovada pelo banco e que a expectativa é chegar a 20 países até julho de 2027. Ela afirmou ainda que Lula teve "um papel crucial" ao levar para reuniões internacionais experiências brasileiras como o SUS, o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

No fim da conversa, Dilma disse estar otimista com o país, mas fez um alerta. "Nós não queremos um país submisso", afirmou. "Eu temo muito o retrocesso porque eu já vi um."