Estudante sofre injúria racial no metrô de SP; Ministério Público pede investigação
Vídeo registra mulher admitindo ofensa racista na estação Vila Sônia. Vítima fez boletim de ocorrência, e concessionária afirma que ofereceu acolhimento e apoio para ir à delegacia.

Uma mulher cometeu injúria racial contra o estudante Marcio Ferreira na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, na noite de domingo, 18 de outubro. O Ministério Público requisitou a abertura de inquérito policial para apurar o crime, depois das ofensas registradas pela própria vítima em vídeo.
O episódio ocorreu por volta das 20h, após uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro - PL na Avenida Paulista, no centro da capital. A mulher é identificada pelo g1 como apoiadora de Bolsonaro. Nas imagens, ela admite a ofensa racista e continua a xingar o estudante.
Ferreira contou ao g1 que tentou impedir uma agressão física depois que uma discussão política levou a mulher a dirigir ofensas homofóbicas a um grupo. Ao intervir, ele disse que não precisavam brigar, apesar das posições políticas diferentes.
Segundo o relato do estudante, a mulher passou a ofendê-lo também depois que ele se colocou contra a briga. Ela questionou se ele estava com o grupo, fez uma ofensa homofóbica e iniciou os ataques raciais.
As 3 pessoas que estavam no local foram embora, mas Ferreira permaneceu e tentou conversar com a mulher, conforme contou à reportagem. Ele pediu que ela se acalmasse e procurasse a saída da estação, na tentativa de encerrar o desentendimento.
Ainda de acordo com o estudante, ela o seguiu pela escada rolante. Na parte de cima da estação, avançou na direção dele e passou a acusá-lo de agressão. Essa acusação também aparece na gravação, quando a mulher pede a um agente que chame a polícia.
Em um dos trechos do vídeo, Ferreira afirma que ela é racista e avisa que as ofensas foram gravadas. Durante a conversa, a mulher diz ter sido chamada de bolsonarista e reconhece o insulto: "Eu falei para ele que ele é um preto de bosta", declara.
O estudante responde que aquilo configura racismo. Para justificar a própria conduta, a mulher menciona familiares negros e diz: "Deixa eu te mostrar a foto da minha família. Meu filho é preto. Eu sou mulher de preto também". Em seguida, volta a xingá-lo. Ferreira afirma, na gravação, que não a ofendeu, mas a chamou de bolsonarista.
A vítima registrou boletim de ocorrência e disse que pretende adotar as providências necessárias. Ao falar sobre o efeito do ataque, relatou ter passado a sentir culpa por sair de casa e por não saber como reagir, embora reconheça que não tem responsabilidade pelas ofensas.
Ferreira também afirmou que usa o metrô para trabalhar e estudar e que passa diariamente pelo local. Para ele, o episódio se soma a outros casos de racismo no país, e a denúncia é necessária. Seu relato descreve a dificuldade de afastar o sentimento de culpa mesmo sabendo que a responsabilidade é da agressora.
Procurado pelo g1, o Ministério Público informou que a requisição de inquérito partiu do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância, o Gecradi. A investigação deverá apurar o crime relatado pelo estudante.
A Motiva, concessionária que administra a Linha 4-Amarela, afirmou em nota que seus agentes de Atendimento e Segurança atenderam à ocorrência na estação Vila Sônia Profª Elisabeth Tenreiro. A empresa reconheceu que o desentendimento entre os clientes envolveu ofensas racistas.
Segundo a concessionária, as equipes acolheram a vítima e ofereceram ajuda para levá-la a uma delegacia, mas ela preferiu não ir naquele momento. A Motiva orientou os passageiros a registrar formalmente esses casos com os agentes das plataformas ou com as autoridades policiais, inclusive depois da ocorrência. A empresa repudiou o racismo e a discriminação e disse estar disponível para colaborar com as autoridades na apuração.
Com informações do g1.