Igreja Católica

Leão XIV celebra Finados em Roma e pede que dor das famílias sensibilize líderes a interromper guerras

Papa presidiu missa no Cemitério Monumental do Verano pelo segundo ano seguido e rezou pelos mortos e por quem perdeu entes queridos

Leão XIV celebra Finados em Roma e pede que dor das famílias sensibilize líderes a interromper guerras
Foto: Edgar Beltrán/The Pillar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
4 de novembro de 2026publicação
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O Papa Leão XIV, Bispo de Roma, celebrou a missa pela Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos no Cemitério Monumental do Verano, na região central de Roma, capital da Itália, na tarde de segunda-feira, 2 de novembro de 2026. No Dia de Finados, quando cristãos homenageiam seus mortos mundialmente, o pontífice pediu orações pelas vítimas das guerras e por suas famílias.

Ao chegar, Leão XIV parou diante das sepulturas, rezou junto aos túmulos e depositou flores em homenagem aos mortos. Esta foi a segunda vez seguida que escolheu o Verano para a celebração. Em 2025, no primeiro Finados de seu pontificado, também presidiu a Eucaristia no cemitério.

Com aproximadamente 83 hectares, o Verano figura entre os principais patrimônios funerários históricos de Roma. Seus monumentos, esculturas, capelas e sepulturas registram mais de dois séculos da história romana.

Na abertura da homilia, o Papa explicou o significado da celebração entre as sepulturas e a intenção da missa: "Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia neste lugar de oração e de memória, de afeto e de esperança. Nós a oferecemos em sufrágio dos fiéis defuntos, em particular daqueles que aqui repousam e daqueles que cada um de nós traz no coração."

A Comemoração dos Fiéis Defuntos sucede a Solenidade de Todos os Santos. Ao relacionar a oração pelos mortos à esperança da eternidade, Leão XIV recorreu ao Livro da Sabedoria e à proteção de Deus às almas justas, que não serão atingidas por "nenhum tormento", conforme destacou.

O Evangelho das Bem-aventuranças também orientou a reflexão. Sobre a força espiritual das palavras de Jesus naquele espaço, o Papa afirmou:

"As Bem-aventuranças são o caminho da vida plena e realizada, já agora e por toda a eternidade. Quando as ouvimos proclamadas na Liturgia, nós o sabemos, é o Senhor Ressuscitado que nos fala. E este anúncio de salvação, que são as Bem-aventuranças, ressoa com particular força espiritual em um cemitério, que é como um limiar entre o aquém e o além, entre a existência terrena e aquilo que nos espera. Jesus Ressuscitado nos diz: bem-aventurados aqueles que vivem segundo este caminho, porque deles é o Reino dos Céus."

Ao citar "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados", Leão XIV associou a consolação dos enlutados às consequências das guerras e pediu que a dor das famílias sensibilize os dirigentes capazes de interromper os confrontos armados:

"Neste momento, queremos rezar por aqueles que perderam recentemente uma pessoa querida; em particular, por aqueles dos quais a absurda violência da guerra arrancou um ente querido. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!"

A homilia lembrou ainda o oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis. O pontífice citou os versos que Francisco acrescentou ao Cântico das Criaturas quando percebeu a proximidade da própria morte:

"Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, / da qual nenhum homem vivente pode escapar. / Ai daqueles que morrerem em pecado mortal! / Bem-aventurados aqueles que ela encontrar em tua santíssima vontade, / pois a segunda morte não lhes fará mal."

Na parte final, Leão XIV abordou a esperança cristã e a comunhão antecipada na Eucaristia. Segundo o Papa, a fé transforma os vínculos com os falecidos, enquanto as orações os acompanham:

"Queridos irmãos e irmãs, a fé em Cristo nos diz que o nosso vínculo com os fiéis defuntos não foi interrompido, mas transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que, verdadeiramente, já experimentamos antecipadamente aqui, no Sacramento da Eucaristia."

O pontífice incentivou os fiéis a continuar a vida com uma fé "repleta de esperança". Evocou a promessa de que Deus "enxugará toda lágrima" e de que "não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor".

Após a missa, realizou a aspersão e a bênção dos túmulos. Na sequência, rezou pelos falecidos: "Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém."

Publicação: segunda-feira, 2 de novembro de 2026, às 16h18. Foto: Yara Nardi, da Reuters.

Fonte: Canção Nova. Leia o original.