Leão XIV pede diálogo e iniciativas de paz após missão humanitária em Oleshky
Papa destacou colaboração que permitiu socorro a civis na região ucraniana de Kherson; conselho religioso celebrou retirada e assistência aos moradores

O Papa Leão XIV pediu diálogo e iniciativas concretas pela paz na Ucrânia ao término do Angelus de domingo, 1º de novembro, no Vaticano. Da janela do Palácio Apostólico, de onde conduziu a oração e observou os fiéis, o pontífice destacou a colaboração que permitiu uma ação humanitária em Oleshky, na região ucraniana de Kherson, sob ocupação russa.
“Nos últimos dias, foi realizada uma ação humanitária em prol da população civil na cidade de Oleshky. Espero que a colaboração entre as partes, que tornou possível esse gesto humanitário tão necessário, faça crescer a vontade de diálogo e leve a novas iniciativas concretas de paz.” A declaração de Leão XIV ocorreu após a conclusão da missão de retirada de civis, encerrada nas horas anteriores ao pronunciamento.
O release atribui ao Papa a primeira divulgação mundial da tragédia local e relata seus apelos, orações e telefonemas aos presidentes Putin, da Rússia, e Zelensky, da Ucrânia. Uma fotografia de Yara Nardi, da Reuters, acompanha o material. Durante internação no Hospital Gemelli, em Roma, o pontífice telefonou a Putin para solicitar uma pausa humanitária que abrisse um caminho de saída para os moradores.
Dias depois, Leão XIV apresentou a solicitação a Zelensky. O pedido era por “uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”, conforme as palavras do Papa. A proposta incluía alimentos, atendimento médico e a possibilidade de deixar a cidade por decisão dos próprios civis.
Antes da guerra, Oleshky tinha aproximadamente 24 mil moradores. A população atual soma cerca de 2 mil pessoas, entre as quais permaneciam aproximadamente 50 crianças. Os habitantes passaram meses sem abastecimento de água, energia elétrica, medicamentos e ambulâncias. Todas as rotas de saída estavam bloqueadas: a única ponte até Kherson foi destruída em novembro de 2022, e as estradas externas à cidade estavam minadas.
O anúncio da trégua ocorreu no dia 23 de outubro. Moscou e Kiev confirmaram o acordo para interromper os combates, com mediação decisiva dos Estados Unidos e participação da primeira-dama Melania Trump nas articulações. Descrita no release como a maior desde o início da invasão russa ampliada, a trégua permaneceria até segunda-feira, 2 de novembro, às 10h59.
Os moradores atravessaram a fronteira gradualmente, mas permanece desconhecida a quantidade de civis recebidos em território ucraniano não ocupado. A mulher mais velha entre os deslocados tem 94 anos, e o mais jovem, pouco mais de um ano. Leão XIV pediu esforços por uma paz duradoura e rezou pelas vítimas dos conflitos: “Confiamos a Maria, Rainha da Paz e de todos os santos, todos aqueles que, em todas as partes do mundo, sofrem por causa das guerras”.
O Conselho Ucraniano das Igrejas e Organizações Religiosas, UCCRO, afirmou “acolher com satisfação” o resultado da missão. Segundo a entidade, a operação foi “viabilizada graças à implementação dos acordos firmados e ao respeito ao cessar-fogo, o que permitiu prestar assistência às vítimas da catástrofe humanitária”.
Em comunicado, o conselho agradeceu ao Papa Leão XIV, aos parceiros ucranianos e às pessoas de boa vontade “por seus esforços, seu empenho e suas orações voltadas para salvar os habitantes de Oleshky”. A entidade deu “boas-vindas” aos compatriotas “que aproveitaram a oportunidade de deixar Oleshky para se refugiarem nos territórios controlados pela Ucrânia” e assegurou orações por aqueles “que foram resgatados”.
O UCCRO também celebrou “a prestação de assistência humanitária aos residentes que permanecem em Oleshky” e manifestou a esperança de que essa experiência “possa ser estendida a outras comunidades cujos habitantes se encontrem em necessidade igualmente urgente de assistência”. O conselho reafirmou: “As Igrejas e as organizações religiosas da Ucrânia continuam rezando pelo fim da guerra e por uma paz justa que prevaleça na terra da Ucrânia”.
Fonte: Canção Nova. Leia o original.