Igreja Católica

Leão XIV recebe líderes religiosos da Mongólia para fortalecer diálogo entre católicos e budistas

Cardeal Giorgio Marengo e abade do mosteiro de Gandan participaram da audiência; em Assis, religioso destacou contribuição das tradições religiosas para a paz

Leão XIV recebe líderes religiosos da Mongólia para fortalecer diálogo entre católicos e budistas
Foto: Edgar Beltrán/The Pillar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
30 de outubro de 2026publicação
4 minleitura

Leão XIV recebeu o cardeal Giorgio Marengo, prefeito apostólico de Ulan Bator, e o abade do mosteiro de Gandan na segunda-feira, 26 de outubro, em uma audiência voltada à consolidação dos vínculos entre católicos e budistas mongóis. Apresentado como a máxima autoridade do budismo mongol, o abade representa um dos principais centros espirituais da Mongólia. Os líderes defenderam o diálogo, a fraternidade e a promoção da paz.

Em declarações à mídia vaticana, Marengo definiu a audiência como "Um sinal de grande estima e amizade". O cardeal, também apresentado como arcebispo de Ulan Bator, destacou a disposição do pontífice para o encontro: "É um sinal de grande estima e de grande amizade o fato de que o Santo Padre, ciente do momento que ele está atravessando, tenha desejado encontrar-se com a máxima autoridade do budismo mongol".

Ao tratar dos vínculos religiosos no país, Marengo ressaltou "essa relação tão proveitosa que já existe entre a tradição católica, que na Mongólia representa uma minoria absoluta, e o mundo budista, que, por outro lado, é majoritário". Para ele, a audiência foi "um encontro entre líderes religiosos que quiseram enviar um sinal claro: o diálogo, a fraternidade e a promoção da paz são possíveis". As legendas das imagens registram a presença de uma comitiva na audiência. As fotografias recebem crédito de Vatican Media.

A experiência mongol também esteve nas reflexões de Marengo em Assis, onde participou do Encontro Internacional pela Paz, promovido pela Comunidade de Santo Egídio com o tema “Paz desarmada e desarmante”. O evento ocorreu quarenta anos após a jornada de oração de 1986, convocada por São João Paulo II. O cardeal relacionou essa trajetória à contribuição que as religiões podem oferecer para a paz por meio de relações de proximidade e respeito.

Marengo associou o diálogo à convivência "como amizade, como conhecimento, partindo naturalmente do respeito, do estudo e do conhecimento mútuo". Segundo o cardeal, esse caminho "demonstra às sociedades que as tradições religiosas são parceiras na construção do bem comum, e não antagonistas". A possibilidade de servir à sociedade, preservando as identidades religiosas, esteve entre os pontos destacados por ele ao abordar o encontro entre diferentes tradições.

O religioso ressaltou a relevância desse compromisso "sobretudo para sociedades que talvez tenham vivido situações de isolamento do resto do mundo. Quando esse compromisso se concretiza em iniciativas de diálogo, de encontro e de promoção de valores comuns, torna-se evidente que as tradições religiosas são promotoras do bem comum e da paz". Na avaliação apresentada por Marengo, a aproximação religiosa encontra expressão nas ações cotidianas, nas relações e na fraternidade.

Espírito de Assis e mudanças na sociedade mongol

Ao falar da influência do Espírito de Assis, Marengo afirmou que ela se manifesta "no recôndito" e "em iniciativas que não aparecem nos jornais". O cardeal explicou: "Eu diria que o evento que estamos vivendo demonstra como o Espírito de Assis, mesmo sem fazer barulho, está moldando a vida de tantas pessoas". Sua reflexão situou essas iniciativas discretas em um cenário internacional marcado por "grande confusão e tensões mundiais", nas palavras dele.

Marengo integrou o painel sobre a atualidade do Espírito de Assis, de 1986 a 2026. Também participaram Muhammad Abdul Khabir Azad, grão imame da mesquita de Lahore, no Paquistão; Jaron Engelmayer, rabino-chefe de Viena, na Áustria; e Jean-Dominique Durand, presidente da Amizade Judaico-Cristã da França. Ao destacar a importância do encontro de 1986 para o diálogo mongol, o cardeal o descreveu como "uma etapa fundamental no caminho do diálogo inter-religioso".

A Mongólia atravessa mudanças sociais profundas, segundo o relato. Nesse contexto, Marengo apontou preocupações com "a incursão maciça e muitas vezes descontrolada do mundo digital e de novas formas de socialização". Para ele, essas transformações ameaçam referências relacionais e espirituais. O diálogo religioso pode ajudar "a manter o olhar voltado para o alto, a conter fenômenos de isolamento, solidão e perda de orientação em muitos jovens", afirmou o cardeal.

Ao abordar a dimensão espiritual da Mongólia, visitada pelo papa Francisco em 2023, Marengo recorreu à imagem da ger, a tenda tradicional mongol. Sua abertura superior permite a entrada de luz, característica que o cardeal relacionou à abertura espiritual. Sobre o significado dessa experiência, declarou: "É difícil descrevê-lo". A Mongólia, situada entre China e Rússia, recebe viajantes, e o céu mongol serviu de referência para sua reflexão sobre a vida religiosa.

Marengo citou o ditado popular mongol "As nuvens passam, o céu permanece" e afirmou que "a dimensão vertical da vida é, na verdade, mais fundamental do que a horizontal". Ao relacionar a paisagem à mensagem das religiões, declarou: "Na Mongólia, quando se caminha, tem-se a sensação de que o céu é mais real do que a terra. E essa é também uma mensagem que toda religião oferece ao mundo".

O cardeal também expressou essa associação entre o céu e a abertura espiritual ao afirmar que "na Mongólia, quando se caminha, tem-se a percepção de que o céu é mais real do que a terra. E essa é também uma mensagem que toda religião, toda tradição religiosa, oferece ao mundo". A reflexão conecta a experiência mongol à contribuição religiosa para a paz, tema que acompanhou sua participação em Assis e suas declarações sobre a audiência papal.

Para acompanhar outras notícias, assine a newsletter e acompanhe o canal do WhatsApp.

Fonte: Vatican News. Leia o original.