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Lincoln Gakiya diz que aceitaria convite para Ministério da Segurança Pública

Promotor afirma que ainda não foi procurado pelo Planalto. Criação de pasta exclusiva depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado.

Lincoln Gakiya diz que aceitaria convite para Ministério da Segurança Pública
Foto: Divulgação
28 de outubro de 2026publicação
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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que aceitará comandar um eventual Ministério da Segurança Pública se receber um convite formal do Palácio do Planalto. Ao jornal O Globo, declarou: “se vier formalmente, será uma honra e certamente vou aceitar”. Até então, não havia sido procurado diretamente e soubera da possibilidade pela imprensa.

Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo. Interlocutores do presidente Lula - PT avaliam que sua escolha representaria um sinal de enfrentamento às facções. A definição, porém, ainda envolve outros nomes.

A ala política do governo considera também os ex-governadores Rui Costa, da Bahia, e Camilo Santana, do Ceará, próximos de Lula e avaliados pelo perfil de atuação na área. Outra possibilidade é Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, apoiado pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles.

Chico Lucas ganhou projeção no estado com medidas que reduziram os roubos de celulares. A discussão sobre o comando da pasta ocorre enquanto o governo busca viabilizar a criação de uma estrutura exclusiva para a segurança, compromisso que Lula desenha desde 2022.

O projeto depende da aprovação, no Senado, da Proposta de Emenda à Constituição, a PEC da Segurança. O governo trata sua votação como prioridade até o fim do ano. O texto amplia as atribuições federais na gestão da área e permite separá-la do Ministério da Justiça, com orçamento próprio para o novo ministério.

Gakiya atua contra o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e está no Ministério Público desde 1991, acumulando mais de 3 décadas na instituição. Mais de 10 planos para assassiná-lo já foram descobertos. Ele vive sob proteção policial, com veículo blindado e treinamento de tiro, em estrutura comparável à de governadores e presidentes.

Perto da aposentadoria, o promotor já afirmou que precisará sair do Brasil porque a legislação não assegura a continuidade de sua escolta depois que deixar o cargo. As ameaças começaram a fazer parte de sua rotina em 2005 e aumentaram em 2018, após a apreensão de cartas codificadas na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

As correspondências mostravam que dirigentes da facção acompanhavam seus movimentos. Em 2019, sem apoio prévio do governador ou do procurador-geral de Justiça, Gakiya pediu o isolamento de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e de outros 21 líderes no sistema prisional federal. O promotor chama a decisão de seu “decreto irreversível de morte”.

Mais recentemente, a divulgação de um áudio no qual a principal liderança do grupo chamava um aliado de “psicopata” provocou uma ruptura inédita na direção da organização criminosa. A atuação de Gakiya também inclui transferências rápidas de dezenas de presos para impedir motins.

Ao longo de 20 anos nas comarcas de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, ele acompanhou o crescimento da facção nas prisões paulistas. Está no Gaeco desde 2008. Em janeiro de 2017, no auge da crise penitenciária nacional, foi recebido pelo então presidente Michel Temer em razão de seu trabalho técnico.

Na eleição de 2026, Ronaldo Caiado, candidato do Partido Social Democrático, o PSD, à Presidência, chegou a convidá-lo para a mesma pasta. Gakiya recusou naquela ocasião para preservar sua aposentadoria. Agora, condiciona a aceitação à apresentação de um convite formal pelo Planalto.