Livro de capelão no corredor da morte tem prefácio de Francisco e edição em português
Obra de Dale Recinella reúne 27 anos de acompanhamento espiritual de condenados na Flórida e chega aos leitores pela Editora Paulinas

A Editora Paulinas leva aos leitores de língua portuguesa o livro “Um cristão no corredor da morte”, de Dale Recinella, com prefácio de Francisco. Lançada pela Livraria Editora Vaticana, LEV, em 2024, a obra reúne vivências de 27 anos do capelão leigo entre condenados à morte na Flórida, nos Estados Unidos. O Vatican News publicou um texto sobre a obra.
O livro apresenta uma experiência espiritual, sem o formato de tratado jurídico. A LEV descreve a trajetória do autor como marcada pelo compromisso com os ensinamentos de Cristo. Os encontros narrados condenam a pena capital sob a perspectiva cristã e mostram presos capazes de amar, pedir perdão e arrepender-se. O relato também aborda a conversão pessoal de Recinella.
A aproximação com os condenados nasceu de um convite de seu pároco, cujo nome não foi informado, para “ver o mundo como Deus o vê”. Na Florida State Prison, Recinella começou acompanhando espiritualmente um condenado. Depois, esteve ao lado de dezenas de presos até a execução. Desde 1998, acompanha pessoas sentenciadas à morte na Flórida, numa atuação como capelão leigo que se aproxima de três décadas.
Recinella visita diariamente as celas para ouvir os presos e oferecer acompanhamento até a execução. O release da obra classifica esse corredor da morte entre os mais severos dos Estados Unidos. Em 2021, o trabalho recebeu o prêmio Guardião da Vida, concedido pela Pontifícia Academia para a Vida.
Francisco conheceu Recinella durante uma audiência e aprofundou o conhecimento sobre sua atuação por meio dos artigos que ele escreveu no L'Osservatore Romano. No prefácio, o papa descreve a missão como “dificílima, arriscada e árdua”. O texto considera os danos irreparáveis sofridos pelas vítimas e o sofrimento dos condenados diante da certeza da morte, além dos prejuízos sociais provocados pela pena capital.
Ao rejeitar as execuções como resposta, Francisco afirma que “a pena de morte não é de modo algum a solução”. Para o papa, elas “longe de fazer justiça, alimentam um sentimento de vingança que se transforma num veneno perigoso para o corpo das nossas sociedades civis”. Sua reflexão associa, assim, a prática ao sentimento de vingança.
Francisco também recorda o acolhimento de Cristo a um ladrão condenado e escreve: “nem mesmo o mais abjeto dos nossos pecados desfigura, aos olhos de Deus, a nossa identidade: permanecemos seus filhos”. O prefácio reconhece a contribuição de Susan, esposa do autor, e traz o agradecimento emocionado do papa pela missão de Recinella. A publicação inclui uma legenda sobre a assinatura de Francisco no prefácio.
Nascido nos Estados Unidos em 1951, Recinella graduou-se em Direito na Universidade de Notre Dame, em Indiana. Trabalhou como advogado tributarista em Wall Street, Miami e Tallahassee. Casado e com filhos, passou por duas experiências diante da finitude que o levaram a questionar sua missão. “Que quer Deus de mim?”, perguntou o advogado e capelão leigo.
Susan apoiou sua decisão de abandonar a advocacia para dedicar-se integralmente aos vulneráveis. O atendimento começou com pessoas em situação de rua. Depois, Recinella cuidou de pessoas com AIDS nos anos 80 e também prestou assistência a presos comuns, antes do acompanhamento dos condenados à morte. A publicação do Vatican News termina com um agradecimento pela leitura e um convite aos leitores para acompanhar a newsletter e o canal de WhatsApp.
Fonte: Vatican News. Leia o original.