Lula vira sobre Flávio Bolsonaro e é eleito presidente pela quarta vez
Atrás no 1º turno e em todas as grandes pesquisas da véspera, o petista fez 51,79% dos votos válidos e venceu por mais de 4,4 milhões de votos. No Tocantins, Flávio ganhou com 51,37%

Luiz Inácio Lula da Silva - PT foi eleito presidente da República pela quarta vez na noite de domingo, 25 de outubro. Com todas as seções apuradas, Lula teve 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro - PL, 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
Lula é o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil. Ganhou em 2002, em 2006, em 2022 e agora em 2026, numa eleição em que terminou o 1º turno em segundo lugar e chegou à véspera da votação atrás em todas as grandes pesquisas. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. O vice continua sendo Geraldo Alckmin, o mesmo adversário que Lula derrotou em 2006. Na terça-feira, 27 de outubro, o presidente eleito completa 81 anos.
As pesquisas diziam que ele ia perder
Flávio foi lançado candidato no fim de 2025, com o aval do pai, Jair Bolsonaro, que está inelegível. Em janeiro, a Genial/Quaest ainda mostrava Lula sete pontos à frente de Flávio num eventual 2º turno. O quadro virou ao longo do ano. Em maio, o PoderData já dava 52% a 48% para o senador.
No 1º turno, em 4 de outubro, Flávio confirmou a dianteira. Fez 47,03% dos válidos, contra 45,16% de Lula, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos. A primeira pesquisa Datafolha depois da votação deu 52% a 48% para ele. O PoderData divulgado na quinta-feira, 8 de outubro, mostrava seis pontos de distância.
Nas três semanas de campanha do 2º turno, quase todos os levantamentos mantiveram Flávio na frente, ainda que dentro da margem de erro. A Quaest de quarta-feira, 14 de outubro, marcou 46% a 44%. A CNT/MDA, na sexta-feira, 16, deu 50,5% a 49,5% dos válidos. A BTG/Nexus, na segunda-feira, 19, registrou 50,3% a 49,7%. Na quarta-feira, 21, a Quaest voltou a mostrar Flávio com 45% e Lula com 44%. O PoderData chegou a empatar os dois em 50% no dia 16, e o Datafolha repetiu o empate na quinta-feira, 22. A única pesquisa a colocar Lula na frente foi a do instituto Vox Brasil, divulgada em 9 de outubro, com 50,86% dos válidos.
Na véspera da eleição, sábado, 24 de outubro, as três maiores pesquisas apontaram Flávio à frente. O Datafolha, com 4.050 entrevistas feitas nos dias 23 e 24, deu 51% a 49% dos válidos. A Quaest, com 3.702 eleitores ouvidos nos mesmos dias, chegou ao mesmo placar. A AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou 50,8% a 49,2%. Todas falavam em empate técnico. Nenhuma indicava a vantagem de mais de 3 pontos que Lula abriu nas urnas.
De Caetés ao Palácio do Planalto
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, então distrito de Garanhuns, no agreste de Pernambuco. Aos 7 anos, viajou com a mãe e os irmãos num caminhão pau de arara até o litoral de São Paulo. Formou-se torneiro mecânico pelo Senai e, em 1964, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente com uma prensa.
Chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975 e comandou as greves do ABC paulista entre 1978 e 1980. Em 1980, ano em que ajudou a fundar o PT, foi preso pela ditadura. Em 1986, foi o deputado federal constituinte mais votado do país.
Disputou a Presidência três vezes antes de vencer. Perdeu para Fernando Collor em 1989, no 2º turno, e para Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, as duas no 1º turno. Na quarta tentativa, em 2002, derrotou José Serra com 61,27% dos válidos. Em 2006, foi reeleito contra Geraldo Alckmin. Deixou o governo em 2010 com 83% de aprovação no Datafolha e elegeu Dilma Rousseff como sucessora.
Prisão, volta e terceiro mandato
Em 2011, Lula tratou um câncer na laringe. Em 2017, foi condenado pelo então juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá, na Operação Lava Jato. Foi preso em 7 de abril de 2018, em Curitiba, e ficou de fora da eleição daquele ano pela Lei da Ficha Limpa. Saiu da cadeia em 8 de novembro de 2019, depois de 580 dias, quando o Supremo Tribunal Federal mudou o entendimento sobre prisão após condenação em 2ª instância.
Em março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações, por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos, e o Supremo declarou Moro parcial. Com os direitos políticos de volta, Lula enfrentou Jair Bolsonaro em 2022 e venceu por 50,90% a 49,10%, uma diferença de 2,1 milhões de votos. Neste domingo, contra o filho de Bolsonaro, a vantagem ficou em mais que o dobro disso.
Onde a eleição virou
Lula venceu nos nove estados do Nordeste, onde fez 69,37% dos válidos. O melhor resultado foi no Piauí, com 75,88%. No Norte, ganhou no Amazonas, no Pará e no Amapá e venceu na região por apenas 1.079 votos, com 50,01% dos válidos.
A virada decisiva aconteceu em Minas Gerais. No 1º turno, Flávio venceu no estado por 48,24% a 43,33%. No 2º, Lula passou à frente, com 50,43% dos válidos. Em São Paulo, Flávio ganhou de novo, mas a distância encolheu. Lula saiu de 38,20% no 1º turno para 46,15%.
Flávio venceu em 14 das 27 unidades da Federação, entre elas todos os estados do Sul e do Centro-Oeste, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e o Distrito Federal. As maiores votações dele vieram de Roraima, com 72,46%, Rondônia, com 69,61%, e Santa Catarina, com 69,42%. Lula ganhou em 13 estados e também entre os eleitores que votaram no exterior.
A abstenção caiu quase 3 milhões
Mais gente foi votar no 2º turno. No 1º, 33.469.244 eleitores ficaram em casa, 21,08% do eleitorado. Neste domingo, foram 30.509.005, 19,22%. São 2.960.239 eleitores a mais nas urnas. O comparecimento subiu de 78,92% para 80,78%.
Os votos nulos caíram 950.944, de 3.674.249 para 2.723.305. Os brancos diminuíram 870.302, de 2.300.798 para 1.430.496. Com mais gente votando e menos brancos e nulos, os votos válidos cresceram 4.781.485. No 1º turno, os outros candidatos a presidente tinham somado 9,3 milhões de votos.
Lula ficou com a maior parte desse acréscimo. Ganhou 10.376.694 votos do 1º para o 2º turno, quase três vezes os 3.721.538 que Flávio somou. A Quaest de quarta-feira, 14 de outubro, já apontava vantagem de Lula entre os eleitores que não votaram ou votaram em branco ou nulo no 1º turno, com 43% das intenções, contra 38% de Flávio.
No Tocantins, Flávio venceu
No Tocantins, o resultado foi o contrário do nacional. Com todas as seções apuradas, Flávio teve 467.916 votos, 51,37% dos válidos, e Lula, 442.962, 48,63%. A diferença no estado caiu bastante em relação ao 1º turno, quando Flávio fez 50,44% e Lula ficou com 43,42%. Em Palmas, Flávio teve 60,35% dos válidos, com 106.514 votos, contra 69.981 de Lula, 39,65%.
No Tocantins, o movimento foi outro. Lula ganhou 38.953 votos do 1º para o 2º turno, e Flávio teve 1.405 a menos. A abstenção subiu de 18,34% para 19,23%, com 10.451 eleitores a mais fora das urnas. Os votos nulos aumentaram 9.421, de 26.405 para 35.826, e os brancos caíram 285, de 8.344 para 8.059. No total, o estado teve 19.569 votos válidos a menos que no 1º turno.
Os números de cada estado e de cada cidade do Tocantins seguem sendo atualizados na página de apuração do Papo.