O PAPO POLÍTICO

O Nordeste desmentiu as pesquisas e Rafael Fonteles saiu maior que todos

Jerônimo na Bahia e Elmano no Ceará venceram no primeiro turno quem liderava as primeiras sondagens, e o Piauí entregou 70,90% ao governador

O Nordeste desmentiu as pesquisas e Rafael Fonteles saiu maior que todos
Foto: TSE
6 de outubro de 2026publicação
2 minleitura
1.129acessos

Pesquisa não é sentença, é fotografia, e fotografia envelhece. Quem duvida pode perguntar a quem passou o ano repetindo que ACM Neto venceria na Bahia e que Ciro Gomes voltaria ao governo do Ceará. O primeiro turno de 2026 resolveu a conversa na urna, e o Nordeste, mais uma vez, não leu o roteiro.

Na Bahia, o Paraná Pesquisas chegou a mostrar ACM Neto com 52% contra 27,4% de Jerônimo Rodrigues, ainda em 2025. Em julho, a Quaest já falava em empate técnico, 39% a 38%. O resultado veio com Jerônimo, do PT, em 55,80%, com 4.626.509 votos, contra 43,72% de ACM Neto. Mais de doze pontos de diferença, tudo no primeiro turno.

No Ceará, o Datafolha apontou Ciro com 47% contra 32% de Elmano de Freitas, e a Quaest, em julho, ainda mostrava 43% a 33%. Elmano terminou com 2.875.573 votos, 53,19%, e Ciro com 46,22%. Nenhum segundo turno, nenhuma prorrogação. Respeito os dois adversários, que têm biografia e votação expressiva. Mas eleição não se ganha com biografia, se ganha com voto, e quem o tinha era quem governava.

Foi no Piauí, porém, que a eleição virou outra coisa. Rafael Fonteles recebeu 1.436.697 votos, 70,90% dos válidos, contra 27,54% de Joel Rodrigues. É a maior porcentagem de um governador eleito em todo o país nesta eleição, e a melhor votação do PT para governador em qualquer estado. As pesquisas já apontavam vitória folgada, entre 62% e 64%, e o eleitor ainda foi além. Quando a urna passa a pesquisa para cima, o recado não é de simpatia, é de confiança.

Digo com todas as letras o que penso. Rafael Fonteles é um nome que o PT e o presidente Lula precisam colocar na mesa quando a conversa for a sucessão. Ele sucedeu Wellington Dias em 2022 e venceu aquela eleição no primeiro turno, e agora fez a maior votação proporcional entre os governadores do país. Tem gestão, tem voto e tem o dom raro de ganhar sem fazer barulho.

Sei que Lula ainda tem pela frente o segundo turno de 25 de outubro, e que é nele que o presidente concentra os esforços. Falar de sucessão antes disso pode soar precipitado. Mas política que só olha o dia seguinte nunca forma liderança, e é justamente por isso que o PT precisa começar a olhar para quem já mostrou que sabe vencer sozinho.

Fecho com um conselho de colunista que já viu muita pesquisa virar piada de mesa de bar. Quando o instituto errar, ria com moderação. Quando o eleitor falar, ouça com atenção. E se o eleitor falou 70,90% a favor de alguém, talvez o país inteiro devesse se perguntar quem é esse governador do Piauí.