Obesidade entre crianças e adolescentes quadruplica em 34 anos, aponta OMS
Percentual passou de 2% para 8% entre pessoas de 5 a 19 anos. Alterações na glicose, no colesterol e na pressão podem surgir mesmo sem sintomas.

A obesidade entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos quadruplicou de 1990 a 2024, segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS, e exige atenção a problemas que podem aparecer mesmo sem sintomas. O percentual nessa faixa etária subiu de 2% para 8% em 34 anos. Cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes viviam com a doença no mundo em 2024.
Alterações na glicose, no colesterol e na pressão arterial estão entre as possíveis consequências. No Tocantins, a endocrinologista Isabella Oliveira, do Sabin Diagnóstico e Saúde, defende que a identificação dos fatores de risco e o acompanhamento médico comecem cedo.
O peso aumenta durante o desenvolvimento infantil, explica a médica, mas o excesso precisa ser avaliado. Aparência e balança, sozinhas, não bastam para o diagnóstico. A análise reúne peso, altura, idade, trajetória de crescimento e condições clínicas.
Isabella afirma: “Não devemos esperar uma complicação para começar o acompanhamento. A avaliação considera o desenvolvimento da criança, sua rotina e o histórico familiar para definir os cuidados necessários”.
Sinais que precisam chegar à consulta
Roncar de forma persistente, ter pausas na respiração enquanto dorme e apresentar sonolência durante o dia são sinais que podem acompanhar distúrbios respiratórios. A orientação é relatar essas situações ao profissional que acompanha a criança.
Áreas de pele escurecida e mais espessa, sobretudo no pescoço e nas axilas, também merecem atenção. Elas podem ter relação com a resistência à insulina, que dificulta o uso adequado da glicose pelo organismo. Nenhum desses sinais, considerado isoladamente, confirma uma doença, ressalta a endocrinologista.
A decisão sobre exames depende da idade e dos fatores de risco de cada paciente. A investigação pode verificar glicose, colesterol, triglicerídeos e enzimas do fígado para buscar alterações metabólicas e problemas hepáticos associados à obesidade.
“Os exames complementam a consulta e têm indicação individualizada. Nem toda criança precisa da mesma investigação”, afirma Isabella.
Cuidado com apoio da família
As recomendações da OMS incluem saúde emocional e intervenções estruturadas no tratamento. Orientação alimentar, incentivo à atividade física, mudanças de comportamento e participação dos familiares fazem parte desse cuidado.
Para Isabella, as mudanças na alimentação, no sono e nas oportunidades de brincar e se movimentar precisam caber na realidade da família. Comparar a aparência da criança, cobrar excessivamente ou impor dietas restritivas sem orientação profissional não deve fazer parte da rotina de tratamento.
“Quando os responsáveis participam, a criança encontra apoio para construir novos hábitos. As metas precisam ser viáveis, sem cobranças sobre o corpo, comparações ou culpa. Também devemos ouvir como ela se sente e observar situações de bullying ou isolamento”, orienta a médica.
O acompanhamento precisa continuar ao longo do tempo porque a obesidade é uma doença crônica. Conforme a criança cresce, os cuidados podem mudar para atender à idade, ao desenvolvimento e às necessidades individuais.
No Tocantins, o Sabin atua desde 2012 e mantém 15 unidades em Palmas, Araguaína, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins, Gurupi, Guaraí e Colinas do Tocantins. A rede realiza exames laboratoriais e outros procedimentos diagnósticos. A oferta de vacinação fica restrita à matriz, em Palmas.