Igreja Católica

Papa Leão XIV defende supervisão humana da IA em decisões sobre vida, liberdade e uso da força

Pontífice apresentou cinco considerações sobre a tecnologia e pediu medidas contra armas autônomas letais em reunião prevista para novembro, em Genebra

Papa Leão XIV defende supervisão humana da IA em decisões sobre vida, liberdade e uso da força
Foto: Edgar Beltrán/The Pillar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
31 de outubro de 2026publicação
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O Papa Leão XIV recebeu participantes de um encontro sobre inteligência artificial e defendeu que a tecnologia sirva à pessoa humana. Ao abordar os limites de sua utilização, rejeitou que decisões sobre a vida, a liberdade e o uso da força sejam entregues à IA sem supervisão humana eficaz, informada e responsável.

Promovido pela Pontifícia Academia para a Vida e pelo Instituto Futuro da Vida, o encontro reuniu especialistas de diferentes países para discutir os avanços da IA e os desafios de seu desenvolvimento e aplicação. O evento foi intitulado “O Futuro da IA: Um Diálogo entre o Vaticano e o Mundo Científico sobre os Avanços e as Aplicações das Tecnologias Inteligentes”.

Leão XIV identificou uma preocupação crescente com os caminhos da inteligência artificial e apresentou cinco considerações fundamentadas na encíclica Magnifica humanitas. A primeira foi que o futuro dessa tecnologia permanece aberto, pois resulta da criação humana e depende das escolhas da sociedade.

“Por ser uma tecnologia desenvolvida pelos seres humanos, seu futuro depende das escolhas que fizermos”, afirmou o Papa. Ele defendeu a responsabilidade humana para orientar e transformar o desenvolvimento tecnológico, inclusive com a recusa de determinadas aplicações quando necessário. Também propôs ampliar a discussão sobre capacidades técnicas, passando da pergunta “O que a IA pode fazer?” para “A que finalidade ela deve servir?”.

Ao tratar dessa finalidade, Leão XIV alertou para uma competição tecnológica que perca de vista as pessoas deixadas para trás. “Aqueles que encaram seu desenvolvimento meramente como uma corrida a ser vencida correm o risco de se concentrar exclusivamente na linha de chegada, esquecendo-se daqueles que ficam para trás”, declarou o Pontífice.

Na segunda consideração, o Papa ressaltou a distinção entre seres humanos e sistemas tecnológicos, defendendo que máquinas sejam tratadas como instrumentos. Advertiu que propostas de direitos e personalidade jurídica para a IA podem dificultar a identificação das responsabilidades humanas, tanto pelas decisões quanto pelas consequências do uso dessas tecnologias.

A terceira consideração abordou decisões que envolvem dignidade e vida. “As decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem permanecer sempre sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável”, afirmou Leão XIV. Nesse contexto, citou sistemas empregados em bases de dados do controle fronteiriço.

Sobre as aplicações militares, o Papa defendeu que a IA seja “desarmada”. Também pediu aos Estados medidas concretas contra armas autônomas letais na reunião prevista para novembro, em Genebra.

Na quarta consideração, Leão XIV afirmou que as tecnologias inteligentes precisam beneficiar o conjunto da sociedade, com avaliação de seus efeitos sobre todos. Rejeitou uma orientação limitada aos interesses de minorias privilegiadas e destacou as pessoas ameaçadas de exclusão dos benefícios tecnológicos.

A quinta consideração apontou a criação e o fortalecimento de instituições como o desafio mais urgente, especialmente no âmbito internacional. Segundo o Papa, essas instituições devem converter princípios éticos em ações sobre o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial.

O material indica sexta-feira, 30 de outubro de 2026, às 10h42. Os links relacionados abordam IA, bem comum e sua relação com a humanidade, além do pontificado de Leão XIV e da alfabetização digital. Outro conteúdo trata da Magnifica humanitas e da utilização consciente da IA.

Fonte: Canção Nova. Leia o original.