PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro, e paradeiro do senador segue desconhecido
Documentos foram cancelados porque ele não os entregou no prazo dado por Moraes. Relatos de viagem aos EUA via Argentina não foram confirmados, e o governo argentino nega registro de entrada.

A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro - PL, derrotado por Lula - PT na eleição presidencial de domingo, 25 de outubro. Segundo o UOL, ele não entregou os documentos no prazo de 24 horas fixado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e a PF vai comunicar o descumprimento ao ministro. O paradeiro do senador é desconhecido, e não há confirmação oficial de que ele tenha deixado o país.
O que é confirmado
A PF intimou Flávio na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, por volta das 11h, a entregar os passaportes em até 24 horas, por determinação de Moraes. O ministro, relator do processo, também proibiu o senador de se comunicar com o amigo e advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados em um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas de Tomaz e casas de apostas. Flávio é investigado em dois inquéritos no STF e, como senador, tem foro especial até fevereiro.
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, Flávio disse que nunca pensou em deixar o país e que entregaria os passaportes. Ele chamou a decisão de tentativa de intimidação e afirmou que vai se defender. Segundo ele, a decisão, que está sob sigilo, cita uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro - PL, que teria sugerido que Flávio saísse do país se perdesse a eleição.
O que ainda não está confirmado
O site argentino Infobae noticiou que Flávio teria cruzado a fronteira com a carteira de identidade e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, em um jato particular rumo aos Estados Unidos. O avião citado é um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly S.A. A Folha de S.Paulo confirmou que a aeronave decolou de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira e pousou em Puerto Iguazú às 23h45. Sites de rastreamento mostram que ela segue no aeroporto da cidade.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha, aliados do núcleo mais próximo da família receberam nesta terça-feira a informação de que ele teria deixado o Brasil rumo à Argentina com a mulher e as duas filhas, e que o destino final seria a Flórida. A coluna diz que a PF rastreia os pontos de fronteira para verificar a informação e apura se ele saiu via Argentina ou se voa para Caracas, na Venezuela, e de lá para Miami. Pela checagem feita até agora, ele não passou oficialmente pela fronteira regular com a Argentina. O colunista Josias de Souza, do UOL, relatou a mesma informação, atribuída a uma pessoa da PF.
O governo argentino, aliado da família Bolsonaro, informou em nota que a Direção Nacional de Migrações não registra entrada de Flávio no país. O jornal argentino El Clarín afirma que o voo, previsto para as 2h30 rumo a Miami com quatro passageiros e três tripulantes, foi cancelado e que a lista de passageiros não foi apresentada às autoridades de migração. O La Nación publicou que a decolagem não ocorreu porque um dos passageiros não compareceu, e a Polícia de Misiones disse que o avião continuava em Puerto Iguazú.
O relato do piloto
O piloto Mauro Mattosinho disse à Folha que um funcionário do aeroporto, que não quis ser identificado, lhe informou que o nome de Flávio consta da lista de passageiros do voo. Segundo o relato, o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio estava em branco, e às 1h30 três passageiros já tinham se apresentado, mas problemas com a documentação suspenderam a decolagem. “Segundo me informaram, a decolagem inicialmente estava prevista para as 2 horas da madrugada, mas permanecia na pista às 7 horas”, afirmou. Mattosinho foi piloto da TAP, empresa que transportava empresários investigados na Operação Carbono Oculto, e neste ano foi candidato a deputado federal por São Paulo pelo PSB, com 404 votos.
As negativas
O senador Rogério Marinho - PL, coordenador da campanha de Flávio, negou que ele tenha deixado o Brasil. Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos, também negou o relato ao UOL e atribuiu a informação à esquerda. Aliados do PL ligados à campanha disseram a Josias de Souza que o senador decidiu descansar, e a assessoria dele se recusou a informar onde ele está. Desde o início da manhã, assessores e aliados tentam contato, sem resposta, segundo a Folha. Uma fonte nos Estados Unidos próxima à administração Trump e à família Bolsonaro disse ao UOL estar ciente da partida do senador para o país, sem confirmar a chegada nem a rota. O Departamento de Estado não se manifestou.
Não há confirmação de que Flávio tenha chegado ao aeroporto de Puerto Iguazú ou embarcado na aeronave. O Papo Político atualiza a matéria conforme houver confirmação oficial.
Com informações do UOL e da Folha de S.Paulo.