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Políticos de carreira dominam bancada recorde do PL, que inclui ex-filiados de esquerda

Dos 121 deputados federais eleitos pelo partido de Flávio Bolsonaro, 111 já exerceram mandato e 93 passaram por outras siglas. A bancada inclui antigos integrantes de governos do PT.

Políticos de carreira dominam bancada recorde do PL, que inclui ex-filiados de esquerda
Foto: Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados, arquivo
17 de outubro de 2026publicação
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O Partido Liberal, PL, elegeu 121 deputados federais no domingo, 4 de outubro, e terá em 2027 a maior bancada conquistada por uma legenda desde a Constituição de 1988. O partido do presidenciável Flávio Bolsonaro - PL reúne principalmente políticos com experiência em mandatos e passagens por outras siglas, inclusive de esquerda.

Entre os eleitos, 111 já exerceram algum cargo eletivo, o equivalente a 91,7% da bancada. Outros 93, ou 76,9%, tiveram filiação a diferentes partidos antes de chegar à legenda presidida por Valdemar Costa Neto. Apenas 8,3% do grupo não tem mandato anterior identificado.

O levantamento feito com dados do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, histórico eleitoral e biografias oficiais mostra que o crescimento do partido reúne trajetórias anteriores ao bolsonarismo. Flávio disputará a Presidência com Lula - PT no domingo, 25 de outubro.

Juntos, os deputados eleitos pelo PL receberam 20,6 milhões de votos, com média de 170,7 mil por parlamentar. Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, e Lucas Pavanato, de São Paulo, concentraram 29,8% dessa votação. Os votos dos dois ajudaram o partido a eleger 21 deputados em Minas Gerais e 19 em São Paulo.

Estreia na Câmara não significa início na política

Dos 121 eleitos, 63 já haviam conquistado mandato de deputado federal em 2022. Outros 14 tiveram passagem pela Câmara em legislaturas anteriores. Os 44 que vão ocupar uma cadeira na Casa pela primeira vez correspondem a 36,4% da bancada.

Mesmo entre esses estreantes, a experiência eleitoral predomina: 34 já exerceram cargo eletivo. Pavanato é vereador na capital paulista. Jair Renan Bolsonaro, de Santa Catarina, filho do ex-presidente, ocupa uma cadeira na Câmara Municipal de Balneário Camboriú.

Gil Diniz, de São Paulo, está no segundo mandato como deputado estadual. Entre os que retornam à Câmara estão Alfredo Nascimento, do Amazonas, Wladimir Garotinho, do Rio de Janeiro, e Izalci Lucas, do Distrito Federal.

Algumas trajetórias começaram décadas antes. Bibo Nunes, do Rio Grande do Sul, foi secretário de Turismo de Cruz Alta em 1980. Alfredo Nascimento assumiu uma secretaria extraordinária em Manaus em 1983. Joaquim Passarinho, do Pará, começou a atuar como vereador em Belém em 1989.

Filiações anteriores e participação em governos do PT

Entre os 116 eleitos que já haviam disputado eleições, apenas 23 concorreram sempre pelo PL. As filiações anteriores dos demais incluem União Brasil, Partido dos Trabalhadores e Partido Comunista do Brasil, PCdoB. Um mesmo parlamentar pode ter integrado várias legendas.

A relação com governos petistas também aparece na bancada. Alfredo Nascimento comandou o Ministério dos Transportes de 2004 a 2011, durante os dois primeiros mandatos de Lula e o início da gestão de Dilma Rousseff - PT. Nesse período, ele já era filiado ao PL.

O partido integrou a coligação que levou Lula à Presidência em 2002. Mais recentemente, Thiago Martins Milhim, eleito por Minas Gerais com o nome Thiago Ganem, ocupou a Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social no governo Lula, em 2023.

Fabiana Vilar, do Maranhão, também exerceu função em uma administração de esquerda. Ela comandou a Secretaria de Agricultura do estado entre 2019 e 2020, durante o governo de Flávio Dino, então filiado ao PCdoB. Essas trajetórias integram uma bancada que tem o antipetismo entre suas principais bandeiras.

Tocantins tem um representante do partido

No Tocantins, o PL conquistou uma das oito vagas de deputado federal. Filipe Martins recebeu 64.068 votos e garantiu o segundo mandato na Câmara, onde atua desde 2023. Antes de chegar ao Congresso, foi vereador em Palmas de 2017 a 2023.

Segundo os dados do TSE, o PL somou 101.850 votos no estado. Mauricio Buffon, que recebeu 16.384 votos, ficou como primeiro suplente do partido no Tocantins.

No conjunto nacional, homens representam 81,8% dos eleitos do PL, enquanto pessoas brancas correspondem a 86,8%. A distribuição territorial também é concentrada: o Sudeste elegeu 57 deputados da legenda. No Nordeste, foram 19, sem representantes eleitos em Alagoas, Piauí e Sergipe.

A bancada inclui policiais, militares e lideranças religiosas. Entre os pastores estão Sóstenes Cavalcante, do Rio de Janeiro, Marco Feliciano, de São Paulo, e Lincoln Portela, de Minas Gerais. Sóstenes lidera o PL na Câmara e já presidiu a Frente Parlamentar Evangélica.

Os vínculos familiares também aparecem no grupo. Dani Cunha, do Rio de Janeiro, é filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Wladimir Garotinho é filho dos ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. Os bens declarados pelos 121 eleitos totalizam R$ 329,4 milhões. Os valores são autodeclarados, e a ausência de registro não comprova falta de patrimônio.