Porteiro é preso após panelaço contra Flávio em Maceió; advogado questiona ação policial
Trabalhador foi levado à delegacia após participar de manifestação em condomínio da Ponta Verde. Morador relata ameaças de motorista, e ocorrência terminou registrada como perturbação do sossego.

A Polícia Militar prendeu um porteiro que participava de um panelaço contra Flávio Bolsonaro - PL enquanto trabalhava em um condomínio da Ponta Verde, área nobre de Maceió, na noite de sexta-feira, 16 de outubro. Outros moradores também se manifestavam no espaço livre do prédio.
O trabalhador foi o único conduzido à Central de Flagrantes. Segundo o relato de um morador, a justificativa apresentada pelos policiais foi desacato, porque ele teria demorado a abrir o portão. A panela usada no protesto também foi levada.
Na delegacia, o delegado de plantão registrou o episódio como perturbação do sossego. A panela permaneceu apreendida. Moradores acompanharam o porteiro em solidariedade, e o atendimento da ocorrência terminou por volta de 1h40 de sábado, 17 de outubro.
As manifestações ocorreram em diferentes cidades durante uma entrevista televisiva de Flávio, por volta das 21h30. No condomínio, segundo o morador Felipe Verlaine, o porteiro aderiu ao protesto ao vê-lo com uma bandeira de Lula - PT na parte interna da entrada.
Verlaine descreveu o trabalhador como alguém estimado pelos moradores. “Ele é uma pessoa muito querida aqui no prédio”, afirmou.
Segundo seu relato, um motorista que passava pela rua baixou os vidros, fez gestos obscenos, proferiu xingamentos e ameaçou pessoas que se manifestavam favoravelmente a Lula. Verlaine disse ter filmado as ameaças em frente ao condomínio.
O morador afirmou que continuou movimentando a bandeira enquanto o porteiro intensificava o barulho da panela. Ainda conforme seu relato, o motorista parou, saiu do veículo e chamou os dois para uma briga, “dizendo que queria resolver aquilo na porrada”.
Verlaine também atribuiu ao homem uma tentativa de escalar a parede do prédio. Disse que os participantes ignoraram a provocação e que, em seguida, o motorista acionou a polícia.
Ao descrever a chegada dos agentes, o morador afirmou que eles entraram no condomínio e já pretendiam algemar o porteiro. Verlaine contou que foi ao apartamento e usou o interfone para pedir a outros participantes do panelaço que registrassem a abordagem.
“Eu abri um boletim de ocorrência contra o cidadão, pois ele ameaçou a gente”, declarou Felipe Verlaine.
O advogado Welton Roberto estava na Central de Flagrantes com estudantes de direito quando o trabalhador chegou. Ele contestou tanto a prisão quanto o enquadramento por perturbação do sossego e questionou a ausência de detenção do motorista apontado como autor das ameaças.
“Por que só o trabalhador?”, perguntou Welton Roberto.
O advogado disse ter ouvido do policial que a condução por desacato ocorreu devido à demora na abertura do portão. Também relatou ter recebido a informação de que o sargento responsável pela detenção era bolsonarista.
Ao criticar a autuação, Roberto sustentou que seria necessário verificar ocorrência depois das 22h e usar um decibelímetro para medir se o som ultrapassava o limite permitido. Essa foi a avaliação apresentada pelo advogado sobre a atuação policial.
As polícias Civil e Militar foram procuradas para comentar o episódio. Até a publicação desta matéria, as duas corporações não haviam se manifestado.