Igreja Católica

Reflexão identificada como CNBB destaca vigilância e preparação para o encontro com Deus

Texto sobre o 32º Domingo do Tempo Comum, Ciclo A, reúne leituras sobre sabedoria, esperança na ressurreição e prudência na vida cristã

Reflexão identificada como CNBB destaca vigilância e preparação para o encontro com Deus
Foto: Agência Brasília, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Por CNBB
5 de novembro de 2026publicação
4 minleitura

Um texto identificado como CNBB aborda o 32º Domingo do Tempo Comum, Ciclo A, e apresenta a vigilância como tema central e urgente da vida cristã. Na aproximação do encerramento do Ano Litúrgico, a reflexão reúne as três leituras para tratar da preparação para encontrar Deus. Essa disposição exige ação, amor e prudência, com atenção à presença divina no cotidiano e responsabilidade diante do destino final, sem medo.

A primeira leitura, do Livro da Sabedoria, em Sb 6,12-16, descreve a Sabedoria como “resplandecente e sempre viçosa”. O texto bíblico afirma que ela “é facilmente contemplada por aqueles que a amam e é encontrada por aqueles que a procuram”. A busca começa “desde a aurora”, conforme a mesma leitura, e encontra uma resposta antecipada. A iniciativa divina aparece na afirmação do Livro da Sabedoria de que “ela mesma sai à procura dos que a merecem”, encontrando essas pessoas pelos caminhos.

A reflexão aproxima essa passagem das tradições bíblica e patrística, que relacionam a Sabedoria a Cristo. As referências a 1Cor 1,24 e Cl 2,3 apresentam Cristo como Sabedoria divina. Santo Agostinho, citado como comentarista, associa a sabedoria ao temor de Deus e ao amor perseverante. A leitura ressalta, assim, tanto a iniciativa de Deus quanto a disposição humana para procurá-lo. Vigiar envolve reconhecer diariamente sua presença e responder a esse encontro com amor e perseverança.

Na segunda leitura, em 1Ts 4,13-18, São Paulo consola os tessalonicenses diante da morte de integrantes da comunidade. O apóstolo orienta os fiéis a não viverem “como os outros, que não têm esperança”. A ressurreição de Jesus fundamenta esse consolo, expresso por Paulo: “Se Jesus morreu e ressuscitou […], de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte”. A esperança cristã aparece vinculada à certeza do encontro definitivo.

Ao descrever a parusia, Paulo anuncia a descida do Senhor desde o céu. Os mortos em Cristo ressuscitarão antes do arrebatamento dos vivos, que serão levados para encontrar o Senhor. “E assim estaremos sempre com o Senhor”, afirma o autor da carta. Ele também orienta a comunidade: “Exortai-vos, pois, uns aos outros com essas palavras”. Segundo a reflexão, essa esperança transforma a vivência presente e o acompanhamento daqueles que morreram. A certeza do encontro oferece consolo e incentiva uma vida digna.

Preparação na vida cotidiana

O Evangelho de Mt 25,1-13 ocupa o centro da liturgia apresentada. Jesus compara o Reino dos Céus a dez virgens que aguardam o esposo. Cinco são prudentes e levam lâmpadas com óleo adicional; as outras cinco, insensatas, deixam de levar reserva. Com o atraso do esposo, todas adormecem. À meia-noite, uma voz não identificada anuncia na parábola: “O noivo está chegando! Ide ao seu encontro!”. As prudentes entram na celebração nupcial. As insensatas ficam excluídas pela falta de óleo, e a porta acaba fechada. O esposo lhes responde: “Em verdade vos digo: não vos conheço”.

A preparação é apresentada como a questão central da parábola. O óleo representa graça, caridade, perseverança e intimidade cotidiana com Deus, dimensões que exigem cultivo pessoal antecipado. São João Crisóstomo relaciona esse óleo às boas obras e à caridade, necessárias para sustentar a fé. Santo Agostinho também o identifica com a caridade e ressalta a responsabilidade individual por cultivá-la: “Ninguém pode dar a outro a própria caridade”. A preparação espiritual depende, portanto, de uma disposição alimentada ao longo da vida.

A demora do esposo representa a espera vivida pela Igreja. Nesse percurso, a reflexão alerta para o cansaço, a mediocridade e o enfraquecimento da fé. A parábola convoca à prudência diária e à serenidade enquanto se espera pelo Senhor. O fechamento da porta simboliza o limite do tempo disponível para a preparação. A advertência de Jesus, “Não sabeis o dia nem a hora”, reforça a necessidade de vigilância contínua e de preservação da fé e da atenção espiritual.

Entre as práticas propostas estão a oração diária, mesmo breve, e a participação nos sacramentos, com destaque para a Eucaristia e a Reconciliação. A vigilância inclui ainda caridade concreta, exame de consciência, leitura da Palavra e cuidado com outras pessoas. Silêncio, fidelidade cotidiana e perseverança fazem parte dessa preparação. O Senhor é apresentado como aquele que chega, mas também se antecipa e procura os fiéis.

No encerramento, a Virgem Maria aparece como exemplo máximo de prudência e vigilância amorosa. O texto destaca seu recolhimento interior e sua perseverança até após a cruz. A reflexão termina com o desejo de que os fiéis sejam acolhidos na celebração nupcial, com as palavras atribuídas ao esposo: “Entrai no banquete nupcial”.

Fonte: CNBB. Leia o original.