Igreja Católica

Religiosas promovem formação para quase cem meninas no Vietnã com releitura de virtudes tradicionais

Programa de três semanas organizado pelas Irmãs Amantes da Santa Cruz de Hanói reuniu atividades práticas, formação religiosa e orientações para participação na Igreja e na sociedade

Religiosas promovem formação para quase cem meninas no Vietnã com releitura de virtudes tradicionais
Foto: Vyacheslav Argenberg, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
5 de novembro de 2026publicação
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As Irmãs Amantes da Santa Cruz de Hanói, no Vietnã, organizaram em junho um programa de verão para quase cem meninas, com duração de três semanas. Apresentada em artigo publicado pelo Vatican News, a formação reuniu participantes de paróquias da arquidiocese de Hanói e de outras dioceses. A proposta segue os ensinamentos do Evangelho e reinterpreta virtudes femininas tradicionais vietnamitas para aprofundar a fé e preparar as jovens para a convivência familiar, a atuação eclesial e a participação social.

A iniciativa tem relação com uma prioridade estabelecida pelo fundador das Amantes da Santa Cruz, o bispo Pierre Lambert de la Motte. Em 1670, ele incluiu a educação feminina na Regra inicial, no capítulo III, intitulado Os deveres da Congregação, com a orientação de "ensinar às mulheres aquilo que devem saber". Mais de 350 anos depois, o atendimento às mulheres e aos jovens permanece nas Constituições das religiosas.

O artigo 4 das Constituições das Amantes da Santa Cruz reafirma essa missão e prevê que o serviço seja realizado com gratuidade. O documento da congregação estabelece que "as irmãs se dedicam, antes de mais nada, com espírito de gratuidade, ao serviço das mulheres e dos jovens na educação, na assistência social, na saúde e na formação moral e religiosa". O percurso oferecido às meninas reúne aprendizado prático e orientação religiosa dentro dessa proposta de atendimento.

A formação parte de quatro virtudes que a cultura vietnamita associa às mulheres: Công, correspondente à laboriosidade; Dung, relacionada ao cuidado com a aparência; Ngôn, que significa falar com propriedade; e Hạnh, ligada à conduta moral. Ao trabalhar esses valores pela perspectiva cristã, as religiosas buscam favorecer a maturidade religiosa, a cidadania responsável e a liderança feminina na vida eclesial. O programa amplia tanto a compreensão quanto a prática dessas virtudes à luz do Evangelho.

Tradição e formação cristã

Na tradição confucionista, Công está ligada às habilidades de costura e culinária, aos cuidados com o marido e a família e à organização doméstica. As irmãs ampliam essa compreensão com habilidades práticas, artísticas e litúrgicas. As atividades incluem culinária, composição floral e direção de coro, além de música, dança e artes. O aprendizado busca contribuir para o amadurecimento das participantes e prepará-las para o serviço nas paróquias e para assumir responsabilidades na Igreja.

Dung, por sua vez, envolve tradicionalmente beleza externa, modéstia, boas maneiras e graça. Na interpretação cristã apresentada pelas religiosas, a prioridade recai sobre a interioridade e a dignidade humana, com valorização da beleza da alma e do espírito. Essa virtude incentiva a humildade, o sacrifício pelos outros e a caridade. A formação também estimula a inteligência, a prontidão de espírito e a generosidade, além de orientar as jovens para a paz, a justiça e a consideração pelo próximo.

As religiosas reconhecem a importância da aparência, mas dão prioridade à beleza interior. Nessa orientação, as obras realizadas pelas jovens devem revelar Deus e a Igreja. O cuidado pessoal é abordado junto às atitudes e à maneira de se relacionar com outras pessoas, dentro da proposta de desenvolver as virtudes a partir dos ensinamentos cristãos.

Ngôn valoriza, na tradição, a fala gentil, respeitosa e educada. O artigo destaca a importância das palavras para a troca de informações e para as relações. No programa, essa virtude é interpretada conforme os ensinamentos da Igreja: usar adequadamente a voz envolve dizer a verdade, anunciar a Boa Nova e promover a paz, a justiça e a caridade. A defesa das pessoas marginalizadas também integra essa compreensão cristã da comunicação.

Para desenvolver essas capacidades, as irmãs ensinam oratória, pensamento crítico e comunicação. As participantes aprendem a dialogar com respeito e a escutar. A orientação alcança ainda os espaços digitais, cujo uso é incentivado para a evangelização. Ao mesmo tempo, a formação desencoraja que esses ambientes sejam utilizados para criticar outras pessoas.

Na concepção tradicional, Hạnh associa a virtude feminina à fidelidade conjugal e à maternidade. As religiosas relacionam essa conduta ao seguimento de Cristo e à santidade, propondo uma liderança exercida pelo serviço ao próximo. As jovens são incentivadas à oração, à participação na missa e à meditação da Palavra de Deus. A formação também estimula visitas a locais relacionados aos mártires vietnamitas, vinculando a conduta moral às raízes espirituais.

Essa orientação deve se expressar no respeito e no cuidado com os pais, no amor pela Igreja, na vida de discípulo e na atenção às pessoas necessitadas. As quatro virtudes preparam as jovens para a família e para colaborar no serviço cristão. A preparação contempla os papéis de filhas, esposas e mães, incentiva a participação ativa na vida e na missão da Igreja e abrange as diferentes vocações para as quais Deus chamar.

As participantes concluíram o percurso com novos conhecimentos e alegria em continuar aprendendo, com incentivo a testemunhar o amor de Deus na família, na paróquia e na escola. O artigo apresenta a experiência como transformação cultural pela evangelização, com o Evangelho capaz de criar raízes na tradição. No encerramento, o texto agradece a leitura e convida à assinatura da newsletter e à inscrição no canal do WhatsApp.

Fonte: Vatican News. Leia o original.