Richarlison cobra mansão em Angra e acusa Flávio Bolsonaro, que nega vínculo com o imóvel
Jogador afirma ter investido R$ 10 milhões na propriedade. Willer Tomaz contesta a acusação e oferece transferir os direitos caso o atacante apresente documentos em 72 horas.

Richarlison voltou a acusar Flávio Bolsonaro - PL e o advogado Willer Tomaz de tomar uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado no sábado, 17 de outubro, o atacante do Tottenham afirmou que perdeu a propriedade por uma manobra judicial. O senador nega envolvimento.
O jogador diz ter aplicado cerca de R$ 10 milhões na aquisição, entre 2020 e 2021, em sociedade com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário. Segundo Richarlison, ele recusou ofertas pela ilha, incluindo uma atribuída a Flávio.
Ao questionar a rapidez da decisão que transferiu a posse, o atacante declarou: "Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou." Ele também afirmou: "Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada".
A posse está atualmente com a WT Administração de Imóveis, de Tomaz. A disputa envolveu a Sport 70 Intermediação de Negócios, de Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, de Richarlison e de seu pai, Antonio Andrade. O processo percorreu cerca de 3 anos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça, o STJ. Após sentença desfavorável em março de 2025 e recursos rejeitados, Sport 70 e Velasco desistiram da ação em agosto de 2025, depois da ruptura entre empresário e atleta.
Flávio não integra o processo e nega participação desde 2022, quando afirmou ter sido indicado como testemunha. Ele visitou a mansão com Tomaz em 2021. Em julho de 2026, sua assessoria declarou que o senador "não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão, tentar associá-lo é factualmente infundado e eleitoralmente motivado".
A equipe acrescentou que Flávio "foi arrolado apenas como testemunha pela empresa do atleta que chegou a ter posse do imóvel. O processo entre proprietário e possuidor foi encerrado na Justiça e, nesse caso, cabe aos respectivos envolvidos qualquer manifestação".
Tomaz respondeu com um desafio de 72 horas. A sigla SPU, mencionada na manifestação, designa a Secretaria do Patrimônio da União:
"O advogado Willer Tomaz desafia Richarlison a apresentar, em 72 horas, um único documento anterior a julho de 2022 que o vincule ao imóvel de Angra dos Reis: escritura pública, contrato de compra e venda registrado ou inscrição em seu nome na SPU, junto com o comprovante dos R$ 10 milhões que diz ter pago a quem tinha direitos sobre o bem. Se forem válidos, Willer Tomaz transfere a ele os direitos sobre o imóvel sem cobrar um centavo".
O advogado também apresentou sua versão sobre o processo e o inquérito:
"Richarlison nunca foi parte em processo algum. A empresa ligada a ele e ao sócio Renato Velasco, a Sport 70, perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ, renunciou em juízo em 2025 e declarou nos próprios autos ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros invasores, sem título, não à titular registrada do imóvel. O negócio já foi objeto de inquérito policial, arquivado por falta de qualquer indício de crime".
Por fim, Tomaz afirmou:
"Richarlison já é réu, em Brasília, pelas mentiras que repete desde julho, mesmo depois de notificado. E faz isso em plena campanha eleitoral, usando o nome de Flávio Bolsonaro que nunca foi parte em nada e só apareceu no processo como testemunha arrolada por Alencar, ex-deputado de esquerda e sócio do próprio Richarlison. A proposta está de pé. O prazo começa agora".