Roberto Tannus e padre Duarte Lara pregam sobre resistência ao mal em acampamento da Canção Nova
Pregações em Cachoeira Paulista abordaram misericórdia, oração e práticas de fé; encerramento prevê missa às 15h com Dom José Falcão

O pregador Roberto Tannus defendeu a prática do bem como caminho para vencer o mal durante a pregação da manhã de domingo, dia 18, no Acampamento de Cura e Libertação. O evento é sediado pela Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista, São Paulo. Na segunda pregação da manhã, o padre e exorcista Duarte Lara abordou aparições recentes da Virgem Maria e práticas de oração.
“Não te deixes seduzir pelo mal”, afirmou Tannus. Ele iniciou a reflexão com a Carta de São Paulo aos Romanos, capítulo 12, versículo 21. Na passagem citada, São Paulo orienta: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem”. A partir desse trecho, o pregador afirmou que a vitória acontece pela prática do bem e apresentou exemplos bíblicos de misericórdia.
Tannus mencionou o Catecismo da Igreja Católica, nas referências 2000 e 845, ao desenvolver a reflexão sobre o perdão. Segundo a abordagem apresentada, perdoar testemunha um amor mais forte que o pecado. Para tratar dessa escolha diante da violência e da perseguição, ele recorreu às histórias de José do Egito, do profeta Eliseu e de Jesus, relacionando os relatos à orientação de responder ao mal com o bem.
Ao falar de José do Egito, com referência a Gn 37, Tannus relatou que os irmãos, movidos pela inveja, o jogaram numa cisterna seca. Na narrativa apresentada, José tornou-se escravo e ficou preso durante 13 anos, mas manteve a integridade e a bondade. Depois, perdoou os irmãos e ofereceu ajuda quando eles precisaram. O pregador destacou a misericórdia como elemento central dessa trajetória.
“Se José tivesse se vingado, ele não seria lembrado pela história. O que fez ele ser um grande homem foi a misericórdia. O que fará você ser grande também é a misericórdia”, afirmou Roberto Tannus aos participantes. Os fiéis lotaram o Centro de Evangelização durante o acampamento. Isabele Domingues fotografou tanto o público no espaço quanto Tannus durante a pregação.
O segundo exemplo foi apresentado a partir de 2 Rs 6, 13. Segundo a narrativa, os reis da Síria e de Israel estavam guerreando, e Eliseu alertava o rei de Israel sobre as armadilhas. O rei sírio enviou tropas para capturar o profeta, que confiou na presença de Deus diante da perseguição. Eliseu pediu a Deus que cegasse os perseguidores. “A oração de Eliseu fez um exército inteiro ficar cego, perdido.”, disse Tannus.
Na sequência do relato, Eliseu levou os soldados até o rei de Israel e pediu que Deus lhes restaurasse a visão, o que aconteceu. O rei perguntou se deveria matá-los, mas o profeta orientou que fossem alimentados e devolvidos ao seu senhor. Após o episódio, segundo a narrativa apresentada na pregação, os sírios interromperam as incursões contra Israel.
“Eliseu era cheio de misericórdia. Meu irmão, quando alguém vem contra você, com a força maior, não aja com força igual, perdoe, ame, acolha, ore. Como você vai vencer o mal? Pela oração e com o amor no seu coração”, afirmou Roberto Tannus, ao comentar a atitude do profeta.
Ao abordar a prisão de Jesus, conforme o Evangelho de João, capítulo 18, versículo 3, Tannus destacou Malco, servo do sumo sacerdote ferido por Pedro. Segundo o pregador, Malco odiava Jesus e desejava tornar-se sumo sacerdote. Na explicação apresentada, uma futura unção atingiria sua orelha direita, com óleo santo que simbolizaria a escuta e a obediência à Palavra de Deus. A mutilação atingiu justamente essa orelha.
“Jesus é a fonte da misericórdia. Ele pega a orelha de Malco e recoloca no lugar. Estanca aquela fonte de sangue. Jesus está devolvendo a Malco seus sonhos. Jesus responde ao mal com o bem. Mesmo sendo traído, Ele não perdeu sua doçura, seu amor.”, afirmou Tannus. O pregador relacionou as reflexões às guerras e à intolerância atuais, defendeu fazer o bem para resistir ao mal e disse que o Catecismo ensina a superioridade da força do bem. “Assuma o amor como a força do seu coração”, declarou.
Duarte Lara aborda oração e combate espiritual
Na segunda pregação da manhã, Duarte Lara afirmou que Deus escolheu Maria para preparar a humanidade aos combates. “Com Maria, esmagamos a cabeça da Serpente”, disse o padre e exorcista. Ele concentrou a exposição nas aparições de Medjugorje e relatou ter visitado o local três vezes. “Eu estive lá três vezes. Impressionante o que eu vi.”, afirmou o sacerdote.
Segundo a exposição, Maria apresenta cinco práticas contra o mal, chamadas por ela, conforme a citação feita pelo padre, de “cinco pedrinhas” contra o “golias infernal”. São elas: celebração e adoração da Eucaristia, confissão mensal, leitura, meditação e vivência da Palavra de Deus, santo rosário e jejum. Duarte Lara recomendou constância nessas práticas e atenção às responsabilidades diárias. “A vida de oração não deve levar a pessoa a se descuidar das obrigações e necessidades da vida diária.”, afirmou.
O sacerdote também comentou um documentário relacionado ao filme O Exorcista do Vilarejo, que acompanhou seu cotidiano na missão de exorcista. Parte do documentário foi exibida no Auditório São Paulo, na programação paralela ao acampamento. A obra chegará aos cinemas brasileiros no início do próximo ano. Ao destacar a importância do rosário no combate espiritual, o padre afirmou que o diabo odeia o nome de Nossa Senhora. “A maior parte das pessoas não tem noção do quanto são eficazes as coisas de Deus”, disse.
Duarte Lara respondeu ainda a perguntas dos participantes sobre cura e libertação, atividade habitual em suas participações nesse acampamento. O release o apresenta entre os poucos sacerdotes exorcistas atualmente ativos. Isabele Domingues fotografou o padre durante as respostas. O encerramento do acampamento está previsto para a mesma tarde de domingo, com missa às 15h presidida por Dom José Falcão, bispo auxiliar do ordinariado militar do Brasil.
Fonte: Canção Nova. Leia o original.