Política

Sem a preferência do Palácio, Eli Borges passa Gaguim e sai das urnas com 271 mil votos

Republicano ficou a 2,7 pontos da segunda vaga no Senado, terminou à frente de Gaguim contra todas as pesquisas e chega ao 2º turno como fiel da balança, agora ao lado de Vicentinho

Sem a preferência do Palácio, Eli Borges passa Gaguim e sai das urnas com 271 mil votos
Foto: Divulgação
9 de outubro de 2026publicação
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Eli Borges (Republicanos) não ficou com uma das duas vagas do Tocantins no Senado, mas saiu do 1º turno de 4 de outubro com um resultado que poucos previam. O deputado federal recebeu 271.829 votos (16,44% dos válidos), terminou em terceiro lugar e ficou 16.281 votos à frente de Carlos Gaguim (União Brasil), que somou 255.548 (15,45%), segundo o TSE.

A distância para a segunda vaga foi pequena. Alexandre Guimarães (MDB), eleito com 316.786 votos, teve 19,16% dos válidos. Eli ficou a 2,72 pontos percentuais dele. Nos dez maiores colégios eleitorais do estado, o republicano chegou a ter 31.600 votos a mais que o emedebista, segundo levantamento do Cleber Toledo. Alexandre garantiu a cadeira com a votação nos municípios menores.

Contra as pesquisas

A ordem final contrariou as pesquisas. Na Quaest divulgada na noite de sábado (3), véspera da eleição, Gaguim aparecia com 21% dos votos válidos e Eli, com 11%. Eli terminou com 16,44%, mais de cinco pontos acima da projeção, e Gaguim ficou com 15,45%.

Na Paraná Pesquisas de 2 de outubro, contratada pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto), Gaguim tinha 24,4% e Eli, 21,4%, depois de o republicano registrar o maior crescimento entre todos os candidatos, 6,5 pontos em pouco mais de duas semanas. O mesmo levantamento já mostrava Eli à frente de Gaguim entre os eleitores que o indicavam como primeira opção, 13% a 12,6%.

Fora da preferência do Palácio

Eli disputou como candidato do Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa, mas o grupo governista tinha preferência explícita por Eduardo Gomes (PL) e por Gaguim, segundo o T1 Notícias. Ainda de acordo com o portal, Eli reclamava de ficar fora das principais agendas e do atraso no envio de material de campanha. Em discurso no Jalapão, a primeira-dama Karyne Sotero pediu votos para Gomes e Gaguim.

Para compensar a estrutura menor, a campanha apostou numa rede de apoiadores. Em setembro, Eli lançou o projeto "100% Voluntário" para espalhar o material da candidatura nas redes sociais, nas igrejas, nas comunidades e entre produtores rurais.

O bolsonarista de verdade

Entre os tocantinenses, Eli é conhecido como o verdadeiro bolsonarista do estado. Foi eleito deputado federal pelo PL em 2022 e, nesta campanha, reuniu o apoio de nomes nacionais da direita. Michelle Bolsonaro gravou participação no programa eleitoral. "Eli Borges tem história, tem posicionamento e tem compromisso com as famílias tocantinenses", disse a ex-primeira-dama. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) também gravaram vídeos pedindo votos para ele. Na reta final, Nikolas lembrou a convivência com Eli na Câmara e pediu o voto no 100.

Entre os deputados federais do Tocantins que disputaram o Senado, foi o único a assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em 2021, votou contra a manutenção da prisão do então deputado Daniel Silveira, aliado de Jair Bolsonaro. Ao anunciar o apoio a Vicentinho, nesta sexta-feira (9), reafirmou o voto em Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência.

A força nas cidades grandes

O voto de Eli se concentrou nos maiores colégios eleitorais. Em Palmas, ele teve 72.453 votos (23,54%) e ficou em segundo lugar, só 4.016 votos atrás de Eduardo Gomes, o senador mais votado do estado. Na capital, Eli abriu 43.926 votos sobre Gaguim, quase três vezes a diferença final entre os dois.

Nos dez maiores eleitorados do Tocantins, Eli somou 162.921 votos e ficou atrás apenas de Gomes, segundo o Cleber Toledo. Gaguim teve 85.449 votos nesses municípios. O republicano foi o mais votado em Paraíso do Tocantins, com 13.845 votos (28,29%), e ficou em segundo em Gurupi, Porto Nacional, Colinas do Tocantins, Miracema do Tocantins e Formoso do Araguaia.

Ao todo, Eli liderou em sete municípios: Paraíso do Tocantins, Miranorte, Dois Irmãos do Tocantins, Sandolândia, Dueré, Marianópolis do Tocantins e Centenário. Ficou entre os três primeiros em 42 das 139 cidades e teve o maior percentual em Palmeirópolis, onde recebeu 38,88% dos votos para senador.

Fiel da balança

Com essa votação, Eli chega ao 2º turno para o governo como fiel da balança. Os 271.829 eleitores que escolheram o nome dele para o Senado equivalem a cerca de 20 vezes a diferença de 13.412 votos que separou a senadora Professora Dorinha (União Brasil) de Vicentinho Júnior (PSDB) no 1º turno.

Nesta sexta-feira (9), Eli anunciou adesão a Vicentinho, em ato na Casa 45, em Palmas. "Eu não vim aqui para discutir o passado. Eu vim para discutir o amanhã", afirmou, segundo a Gazeta do Cerrado. Ele disse que foi fiel ao compromisso assumido até o encerramento do 1º turno e que a decisão veio da identificação com uma proposta de renovação. "Estou junto com vocês. Só me convoquem para as missões que acontecerão até o domingo, dia 25", declarou.

Na capital, onde Eli foi o segundo mais votado para o Senado, Dorinha terminou o 1º turno com 71.143 votos e Vicentinho, com 64.665. A diferença de 6.478 votos em Palmas é um dos espaços em que o apoio do republicano pode pesar. O 2º turno será no domingo, 25 de outubro.