Sem a preferência do Palácio, Eli Borges passa Gaguim e sai das urnas com 271 mil votos
Republicano ficou a 2,7 pontos da segunda vaga no Senado, terminou à frente de Gaguim contra todas as pesquisas e chega ao 2º turno como fiel da balança, agora ao lado de Vicentinho

Eli Borges (Republicanos) não ficou com uma das duas vagas do Tocantins no Senado, mas saiu do 1º turno de 4 de outubro com um resultado que poucos previam. O deputado federal recebeu 271.829 votos (16,44% dos válidos), terminou em terceiro lugar e ficou 16.281 votos à frente de Carlos Gaguim (União Brasil), que somou 255.548 (15,45%), segundo o TSE.
A distância para a segunda vaga foi pequena. Alexandre Guimarães (MDB), eleito com 316.786 votos, teve 19,16% dos válidos. Eli ficou a 2,72 pontos percentuais dele. Nos dez maiores colégios eleitorais do estado, o republicano chegou a ter 31.600 votos a mais que o emedebista, segundo levantamento do Cleber Toledo. Alexandre garantiu a cadeira com a votação nos municípios menores.
Contra as pesquisas
A ordem final contrariou as pesquisas. Na Quaest divulgada na noite de sábado (3), véspera da eleição, Gaguim aparecia com 21% dos votos válidos e Eli, com 11%. Eli terminou com 16,44%, mais de cinco pontos acima da projeção, e Gaguim ficou com 15,45%.
Na Paraná Pesquisas de 2 de outubro, contratada pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto), Gaguim tinha 24,4% e Eli, 21,4%, depois de o republicano registrar o maior crescimento entre todos os candidatos, 6,5 pontos em pouco mais de duas semanas. O mesmo levantamento já mostrava Eli à frente de Gaguim entre os eleitores que o indicavam como primeira opção, 13% a 12,6%.
Fora da preferência do Palácio
Eli disputou como candidato do Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa, mas o grupo governista tinha preferência explícita por Eduardo Gomes (PL) e por Gaguim, segundo o T1 Notícias. Ainda de acordo com o portal, Eli reclamava de ficar fora das principais agendas e do atraso no envio de material de campanha. Em discurso no Jalapão, a primeira-dama Karyne Sotero pediu votos para Gomes e Gaguim.
Para compensar a estrutura menor, a campanha apostou numa rede de apoiadores. Em setembro, Eli lançou o projeto "100% Voluntário" para espalhar o material da candidatura nas redes sociais, nas igrejas, nas comunidades e entre produtores rurais.
O bolsonarista de verdade
Entre os tocantinenses, Eli é conhecido como o verdadeiro bolsonarista do estado. Foi eleito deputado federal pelo PL em 2022 e, nesta campanha, reuniu o apoio de nomes nacionais da direita. Michelle Bolsonaro gravou participação no programa eleitoral. "Eli Borges tem história, tem posicionamento e tem compromisso com as famílias tocantinenses", disse a ex-primeira-dama. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) também gravaram vídeos pedindo votos para ele. Na reta final, Nikolas lembrou a convivência com Eli na Câmara e pediu o voto no 100.
Entre os deputados federais do Tocantins que disputaram o Senado, foi o único a assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em 2021, votou contra a manutenção da prisão do então deputado Daniel Silveira, aliado de Jair Bolsonaro. Ao anunciar o apoio a Vicentinho, nesta sexta-feira (9), reafirmou o voto em Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência.
A força nas cidades grandes
O voto de Eli se concentrou nos maiores colégios eleitorais. Em Palmas, ele teve 72.453 votos (23,54%) e ficou em segundo lugar, só 4.016 votos atrás de Eduardo Gomes, o senador mais votado do estado. Na capital, Eli abriu 43.926 votos sobre Gaguim, quase três vezes a diferença final entre os dois.
Nos dez maiores eleitorados do Tocantins, Eli somou 162.921 votos e ficou atrás apenas de Gomes, segundo o Cleber Toledo. Gaguim teve 85.449 votos nesses municípios. O republicano foi o mais votado em Paraíso do Tocantins, com 13.845 votos (28,29%), e ficou em segundo em Gurupi, Porto Nacional, Colinas do Tocantins, Miracema do Tocantins e Formoso do Araguaia.
Ao todo, Eli liderou em sete municípios: Paraíso do Tocantins, Miranorte, Dois Irmãos do Tocantins, Sandolândia, Dueré, Marianópolis do Tocantins e Centenário. Ficou entre os três primeiros em 42 das 139 cidades e teve o maior percentual em Palmeirópolis, onde recebeu 38,88% dos votos para senador.
Fiel da balança
Com essa votação, Eli chega ao 2º turno para o governo como fiel da balança. Os 271.829 eleitores que escolheram o nome dele para o Senado equivalem a cerca de 20 vezes a diferença de 13.412 votos que separou a senadora Professora Dorinha (União Brasil) de Vicentinho Júnior (PSDB) no 1º turno.
Nesta sexta-feira (9), Eli anunciou adesão a Vicentinho, em ato na Casa 45, em Palmas. "Eu não vim aqui para discutir o passado. Eu vim para discutir o amanhã", afirmou, segundo a Gazeta do Cerrado. Ele disse que foi fiel ao compromisso assumido até o encerramento do 1º turno e que a decisão veio da identificação com uma proposta de renovação. "Estou junto com vocês. Só me convoquem para as missões que acontecerão até o domingo, dia 25", declarou.
Na capital, onde Eli foi o segundo mais votado para o Senado, Dorinha terminou o 1º turno com 71.143 votos e Vicentinho, com 64.665. A diferença de 6.478 votos em Palmas é um dos espaços em que o apoio do republicano pode pesar. O 2º turno será no domingo, 25 de outubro.