Solenidade de Todos os Santos homenageia reconhecidos pela Igreja e pessoas de fé discreta
Padre Wagner Souza explica que a celebração de domingo, 1º de novembro, inclui homens e mulheres cuja santidade não teve reconhecimento público

A Igreja celebra no domingo, 1º de novembro de 2026, a Solenidade de Todos os Santos, em homenagem tanto aos santos oficialmente reconhecidos e elevados aos altares quanto aos homens e mulheres cuja santidade permaneceu discreta. Segundo o texto, essas pessoas também estão junto de Deus, embora seus nomes e suas histórias possam ter permanecido sem reconhecimento público.
Padre Wagner Souza, pároco da Catedral de São Francisco Xavier, da Diocese de Itaguaí, no Rio de Janeiro, associa a solenidade à “família de Deus” reunida no céu. Ao explicar a recompensa divina, o sacerdote afirma: “O prêmio dos bem-aventurados, ou seja, os que mereceram receber de Deus a justa recompensa pelo bem que fizeram, a caridade que praticaram e, acima de tudo, a verdade que viveram enquanto peregrinos neste mundo”.
A liturgia da solenidade inclui uma passagem do livro do Apocalipse na qual São João contempla “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas e que ninguém podia contar”. A imagem é relacionada por Wagner às pessoas que respondem discretamente ao chamado divino, procuram praticar o bem e amar a Deus e ao próximo.
Sobre essa passagem, padre Wagner Souza explica: “Isto se refere a todos os que vivem o chamado de Deus no seu interior, fazendo de forma oculta o que deve ser feito num único intuito: agradar a Deus e ser bom, fazendo o bem aos irmãos”. Nessa compreensão, a santidade também existe fora dos processos de canonização. O reconhecimento eclesial divulga testemunhos e oferece exemplos aos fiéis, mas a comunhão dos santos ultrapassa os testemunhos oficialmente reconhecidos.
O papa Francisco destacou as pessoas discretas que vivem o Evangelho diariamente ao chamá-las de “santos da porta ao lado”. Wagner exemplifica essa vivência com mães que rezam junto aos filhos enfermos e com homens, mulheres, jovens e crianças que testemunham a fé na família, no trabalho e na educação. Para ele, a santidade também se manifesta sem grandes feitos.
O sacerdote apresenta o cotidiano como caminho de santidade e salvação. Sua orientação é “ir além das aparências e fazer do cotidiano da vida uma via segura de salvação pela vivência da santidade”, afirma padre Wagner Souza. Segundo ele, esse caminho está ao alcance de todos e pode ser percorrido nas oportunidades diárias, sem exigir grandes realizações.
Ao mencionar a Primeira Carta aos Tessalonicenses, Wagner recorda que São Paulo apresenta a santificação dos fiéis como vontade divina. O padre relaciona esse desejo à capacidade humana de realizá-lo: “Se Ele, que nos fez e possui, deseja, é porque é possível e somos capazes”. Também cita o ensinamento de Santa Teresinha do Menino Jesus segundo o qual Deus não inspira desejos impossíveis de realizar.
Para Wagner, conhecer Jesus pelos Evangelhos inicia esse caminho, mas a fé exige segui-lo concretamente. O sacerdote orienta: “Não pensemos nas coisas grandes, mas fiquemos no possível e naquilo que podemos fazer: oferecer um copo d’água, ouvir com atenção as pessoas, visitar um doente. Tudo é grande e agrada a Deus se for sincero e feito com gratuidade e amor”.
A publicação está registrada no domingo, 1º de novembro de 2026, às 7h00, e a atualização na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, às 14h07. A imagem artística sobre a comunhão dos santos no céu é fornecida pelo Canva. A foto de padre Wagner Souza tem crédito de Arquivo Pessoal.
Fonte: Canção Nova. Leia o original.