Igreja Católica

Texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 é lançado com foco no cuidado das crianças

Documento apresentado pela CNBB reúne diagnóstico das infâncias brasileiras, reflexão cristã e sete compromissos comunitários e sociais

Texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 é lançado com foco no cuidado das crianças
Foto: Agência Brasília, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Por CNBB
8 de novembro de 2026publicação
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O texto-base da Campanha da Fraternidade 2027 está disponível e foi apresentado pelo padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, em transmissão virtual especial na quarta-feira, 4 de novembro. Centenas de pessoas acompanharam o lançamento ao vivo pelo Brasil. Com o tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças”, o material orientará as atividades e iniciativas da campanha.

A proposta é mobilizar o país para o cuidado, a proteção e o amor às crianças, com a conversão das comunidades cristãs à corresponsabilidade pela infância. “Nós queremos com a Campanha da Fraternidade gerar um grande mutirão em todo o Brasil para cuidar e proteger e amar nossas crianças”, afirmou o padre Jean Poul Hansen ao apresentar a mobilização nacional.

Os bispos, autores do objetivo da campanha, definem a infância como período sagrado para o desenvolvimento integral e propõem: “Promover um caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo amor e pelo respeito”.

No início do encontro virtual, Hansen detalhou a elaboração do documento, construída durante os últimos dois anos com especialistas em crianças. O processo começou em fevereiro de 2025, depois da definição do tema pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB. O conselho acompanhou a elaboração, sugeriu nomes e aprovou os materiais. A equipe de redação reuniu especialistas, padres e bispos.

O documento segue a metodologia pastoral “Ver, Julgar e Agir” e está organizado em três capítulos centrais, além de introdução, conclusão e anexos. O primeiro capítulo mapeia a situação das crianças brasileiras, seus avanços e desafios. A análise considera a diversidade e as desigualdades das infâncias no país, contemplando contextos rurais, periféricos, urbanos e regionais.

Diagnóstico e compromissos pelas crianças

Saúde e primeiros anos da infância estão entre os assuntos abordados, com os cuidados propostos pela Pastoral da Criança para os primeiros mil dias de vida. O documento também dedica atenção à educação, ao desenvolvimento e às redes de apoio e acolhimento. Um tópico específico reúne vulnerabilidades que exigem cuidado e proteção, incluindo violência sexual, uso de drogas, adultização e erotização digital.

O diagnóstico examina ainda os efeitos das telas sobre a saúde mental. O texto contempla as infâncias indígenas, as crianças migrantes ou refugiadas e as crianças no cárcere, dentro do mapeamento das diferentes realidades da infância brasileira.

O capítulo seguinte oferece uma reflexão pela Bíblia, pelo Magistério e pela Ética do Cuidado. O Antigo Testamento fundamenta a compreensão da criança como dom e vida inviolável, enquanto o Novo Testamento apresenta Jesus colocando a criança no centro. O lema da campanha é “Quem recebe uma criança em meu nome a mim recebe”, com referência bíblica em Mt 18,5.

O documento recupera orientações da Doutrina Social da Igreja e reúne contribuições dos papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco. O material de divulgação situa a Ética do Cuidado no último ponto do terceiro capítulo, com uma abordagem teológico-moral sobre o cuidado mútuo e a proteção dos vulneráveis.

O terceiro capítulo apresenta sete compromissos comunitários e sociais pelas crianças. Ao tratar do resultado esperado, Hansen defendeu que as comunidades cristãs “formem comunidades convertidas, testemunhem o cuidado a proteção e o amor às crianças de modo a provocar uma sociedade renovada”. O último capítulo também reserva espaço à participação infantil: crianças contribuíram com depoimentos, frases, poesias, orações e desenhos.

Fonte: CNBB. Leia o original.