TSE dá 48 horas para a Meta explicar alcance de posts da campanha de Lula
Coligação do presidente acusa a dona do Instagram e do Facebook de favorecer Flávio Bolsonaro; empresa diz que as alegações são falsas.

O ministro Marco Aurélio Bellizze, que atua como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 48 horas para a Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, prestar esclarecimentos técnicos sobre a distribuição de conteúdos da campanha do presidente Lula (PT). A decisão saiu neste sábado (10) e atende em parte a um pedido da coligação Brasil Pronto pra Mais, que acusa a empresa de interferir na eleição em favor de Flávio Bolsonaro (PL).
A coligação afirma que a Meta restringe de forma seletiva a entrega de postagens da campanha e de perfis aliados, o que desequilibraria a disputa. A ação cita uma rede de 255 perfis no Instagram geridos por inteligência artificial que atacariam Lula, o PT e a primeira-dama Janja da Silva. Menciona também um levantamento do projeto VigIA, da Agência Lupa, segundo o qual 61 de 64 conteúdos sintéticos identificados entre 1º e 5 de outubro continuavam no ar. A campanha levou o caso ainda à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
O que a Meta terá de responder
A empresa precisa preservar registros, logs de moderação, dados de anúncios e métricas ligados ao caso. Também terá de informar, perfil a perfil, as medidas aplicadas desde 16 de agosto aos perfis oficiais de Lula e às contas apontadas pela coligação, com data, hora, fundamento e se a ação foi automática ou humana. O ministro pediu explicações sobre anomalias nas métricas de vídeos publicados em 7 de outubro, sobre o motivo da desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro e sobre a rede de 255 perfis. A Meta ainda deve mostrar como aplica a regra que tira perfis de candidatos dos sistemas de recomendação e se faz isso do mesmo jeito para as duas candidaturas.
Na decisão, Bellizze escreveu que "os fatos narrados ocorrem em ambiente que somente a representada controla". Ao mesmo tempo, avaliou que a prova apresentada até aqui é, em grande parte, indireta, e deixou o pedido de urgência para depois da análise técnica, segundo a Exame. A Agência Lupa e o Instituto Democracia em Xeque também têm 48 horas para apresentar a metodologia de seus levantamentos. Depois da resposta da Meta, a coligação e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão 24 horas cada para se manifestar.
As queixas da campanha
A equipe de Lula lista episódios desde o fim de 2025. Em dezembro, o perfil do presidente sumiu dos resultados de busca do Instagram. Em setembro, a conta de anúncios foi desabilitada. Neste mês, a campanha relatou interrupção na contagem de visualizações e curtidas de vídeos de Lula e, entre sexta-feira (9) e este sábado, ficou impedida de impulsionar publicações do feed no Instagram. Em nota, a equipe afirmou: "A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura de Flávio Bolsonaro."
A Meta afirmou que as alegações da campanha "são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos" e que "muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas". A empresa disse ainda: "Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos". O caso foi noticiado pelo portal Brasil 247 e confirmado por Exame, SBT News e O Tempo.