Política

Vicentinho vence a máquina e as dinastias e é eleito governador do Tocantins

Com 64,52% dos votos válidos, o tucano derrotou Professora Dorinha, que levou para o palanque o governador com 65% de aprovação, três ex-governadores, a família Siqueira Campos e mais de cem prefeitos

Vicentinho vence a máquina e as dinastias e é eleito governador do Tocantins
Foto: Ascom Vicentinho Júnior
25 de outubro de 2026publicação
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Vicentinho Júnior - PSDB foi eleito governador do Tocantins na noite de domingo, 25 de outubro. Com todas as seções apuradas, o tucano teve 562.083 votos, 64,52% dos válidos, contra 309.076 de Professora Dorinha - União Brasil, 35,48%. A diferença de 253.007 votos fecha uma disputa em que Vicentinho enfrentou o maior arco de alianças reunido numa eleição estadual nos últimos anos. Do outro lado estavam o governador, três ex-governadores, o prefeito de Palmas e a maior parte das prefeituras do estado.

Vicentinho venceu em 113 dos 139 municípios. Em Palmas, o placar foi de 106.765 a 57.212, 65,11% dos válidos para o tucano na capital governada por um aliado de Dorinha. Do 1º para o 2º turno, Vicentinho ganhou 189.235 votos.

O vice eleito é Amélio Cayres - MDB, presidente da Assembleia Legislativa. A posse será em 6 de janeiro de 2027.

O que havia do lado de lá

Dorinha disputou a eleição com o apoio do governador Wanderlei Barbosa - Republicanos, que chega ao fim do mandato com 65% de aprovação na Quaest de setembro e 68,6% na Paraná Pesquisas do mesmo mês. O vice da chapa, Atos Gomes - Republicanos, é da família do governador. A primeira-dama Karynne Sotero pediu votos para a senadora nos encontros de campanha. O senador Eduardo Gomes - PL, reeleito com 450.191 votos, a maior votação do estado, foi quem levou ao palanque de Dorinha o apoio de Flávio Bolsonaro - PL no 2º turno. Nos dois primeiros dias dessa etapa, a senadora reuniu mais de 80 prefeitos.

Os ex-governadores também estavam com ela. Marcelo Miranda, eleito três vezes para o Palácio Araguaia, integra o grupo de Dorinha desde 2025, quando passou a trabalhar no gabinete dela, e dividiu o palanque com a candidata na abertura do comitê de Dulce Miranda, em agosto. Sandoval Cardoso - Podemos, governador em 2014, lançou a candidatura a deputado federal com Dorinha ao lado e foi eleito com 61.747 votos.

A família Siqueira Campos, que fundou o estado e o governou quatro vezes com José Wilson Siqueira Campos, fechou com a senadora nas duas pontas. O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos - Podemos, filho do ex-governador, esteve nas reuniões da campanha e fez da lealdade o centro do discurso. O irmão dele, Siqueira Campos Jr., candidato ao governo pelo Democrata, renunciou na véspera do 1º turno e declarou voto em Dorinha. Mais de cem dos 139 prefeitos do Tocantins anunciaram apoio à candidata antes da primeira votação.

O que Vicentinho tinha

Vicentinho deixou o PP no início do ano, foi para o PSDB e montou a candidatura fora do arranjo do Palácio. A chapa teve dois nomes do MDB. O vice é Amélio Cayres. Para o Senado, a coligação Pra Cima Tocantins lançou Alexandre Guimarães, eleito com 316.786 votos para a segunda vaga.

As pesquisas não davam chance. A Quaest de 23 de setembro mostrava Dorinha com 48,3% dos válidos e Vicentinho com 33,3%, uma distância de 15 pontos. Na véspera do 1º turno, o mesmo instituto apontava 46% a 41%. Nas urnas de 4 de outubro, a senadora fez 386.260 votos, 45,52% dos válidos, e o tucano, 372.848, 43,94%. A diferença ficou em 13.412 votos, 1,58 ponto. Dorinha venceu em 82 municípios e Vicentinho, em 56, fazendo votos no interior sem o apoio das prefeituras, justamente onde a campanha adversária concentrava a aposta.

No 2º turno, o tucano somou 14 apoios nos primeiros cinco dias, entre eles os de Laurez Moreira - PSD, terceiro colocado com 69.967 votos, e de Eli Borges - Republicanos, que teve 271.829 votos para o Senado e se tornou o fiel da balança da disputa.

Famílias e máquina também perderam em Alagoas

O resultado tocantinense dialoga com o que aconteceu em Alagoas. Renan Calheiros - MDB perdeu a reeleição ao Senado depois de 32 anos consecutivos na Casa, e o filho, Renan Filho, foi derrotado no 1º turno para o governo por João Henrique Caldas, o JHC, também do PSDB, por 52,20% a 47,37%, mesmo com o MDB controlando 65 das 102 prefeituras do estado. Cientistas políticos ouvidos pelo g1 falam de um eleitor que passou a enxergar nos grupos tradicionais o sistema que quer trocar.

No Tocantins, a conta fechou do mesmo jeito. O governador com mais de 60% de aprovação, três ex-governadores, a família que fundou o estado e mais de cem prefeitos não foram suficientes para segurar a cadeira. Vicentinho, Amélio e Alexandre, sozinhos no 1º turno, entregaram o Palácio Araguaia ao PSDB.