"Conquista histórica", diz Lula sobre o fim da 6x1; Erika Hilton avisa que, com Flávio presidente, a escala volta
Presidente comemorou a aprovação no Senado: "mais tempo para viver, descansar, estar com a família". A deputada do PSOL, que puxou a campanha pelo fim da escala, chamou o voto de Flávio Bolsonaro de manobra eleitoral: "Não deu as caras".

O presidente Lula - PT comemorou na noite de quarta-feira, 14 de outubro, a aprovação pelo Senado da proposta que acaba com a escala 6x1, uma das principais bandeiras da campanha pela reeleição. "Hoje é dia de comemorar uma conquista histórica de milhões de trabalhadores e trabalhadoras", escreveu nas redes sociais. "O fim da 6x1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida. Quem trabalha tanto para construir o Brasil também merece ter tempo para viver. É uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras."
A PEC passou em dois turnos por 75 votos a 1, com voto contrário apenas de Hamilton Mourão - Republicanos, do Rio Grande do Sul, e segue para promulgação pelo Congresso, já que a Câmara aprovou o mesmo texto em maio. Os três senadores do Tocantins votaram a favor. Leia como foi a votação e o que muda para quem trabalha.
Lula passou a defender a mudança no fim do ano passado, colocou o tema como prioridade na mensagem ao Congresso em fevereiro e cobrou o Senado várias vezes durante a campanha. Pelo Ministério do Trabalho, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão hoje na escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Pesquisas de opinião mostram que sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da 6x1.
"Se ele virar presidente, volta a ter escala 6x1"
A deputada Erika Hilton - PSOL, de São Paulo, que puxou a campanha pelo fim da escala, disse a jornalistas, logo depois da votação, que a conquista corre risco se Flávio Bolsonaro - PL for eleito. "Se ele se tornar presidente do Brasil, a escala 6x1 vai voltar. O que o Flávio Bolsonaro defende é a PEC das horas trabalhadas, a desculpa de que o trabalhador vai negociar com o patrão. Se ele virar presidente do Brasil, no dia seguinte não tem mais escala, volta a ter escala 6x1", afirmou, em declaração registrada pela colunista Letícia Casado, do UOL.
Flávio, que durante a campanha chamou a proposta de oportunista, anunciou na véspera que votaria a favor, depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e votou de forma remota, de onde fazia campanha no Rio Grande do Sul. Ele e aliados defendem outras mudanças trabalhistas, como a PEC da jornada flexível, de Rogério Marinho - PL.
Erika criticou a ausência do candidato no plenário. "Ele não pisou no plenário do Senado, ele foi o último a dar presença. Ele mudou de opinião numa oposição eleitoreira. Isso é cinismo, isso é manobra eleitoral", disse. E completou: "Cadê o senador Flávio Bolsonaro? Cadê os argumentos dele no plenário do Senado? Cadê a fala dele para os trabalhadores, para as mulheres que amargam essa escala, para as mães atípicas do Brasil? Não deu as caras."
Para a deputada, a força que o PL conquistou nas urnas em outubro, com 121 dos 513 deputados e 28 dos 81 senadores a partir de 2027, permitiria ao partido desfazer o direito recém-aprovado. "Se ganharem as eleições, no dia seguinte, com a força que construíram no Senado e na Câmara, serão capazes de retroagir esse direito. Não iremos retroceder", afirmou. Segundo ela, Flávio usa a pauta para se eleger e "vai ficar marcado na história como alguém que usou uma pauta tão importante pra tentar virar voto".
Aliados de Lula leram a mudança de posição de Flávio como tentativa de neutralizar o ganho eleitoral do presidente com a aprovação, a 11 dias do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. Na sessão, a maioria dos partidos orientou o voto a favor; só PL e PP liberaram as bancadas.
Com informações do UOL.